segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O QUE ESPERAMOS PARA O PRÓXIMO ANO?


Com a proximidade do fim de ano, muitas são as expectativas geradas em cada coração. Entretanto, de um modo geral as pessoas anseiam por um ano recheado de bênçãos, as quais, normalmente, são resumidas em três itens: prosperidade financeira, saúde e paz. Dificilmente, alguém deseja, para o ano seguinte, um melhor testemunho como crente, maior ação evangelística ou um relacionamento mais íntimo com Deus. Muitos pensam em novos namoros, novos bens a serem adquiridos, novas viagens a serem feitas, etc. Na mentalidade do povão, para conseguir essas coisas vale tudo: simpatia, superstições. Por causa disso, vemos um montão de gente usando roupas brancas no dia 31 de dezembro, dando sete pulinhos, rompendo o ano apoiado somente no pé direito, entre outras coisas. Será que essas coisas funcionam mesmo? Será que a cor de uma roupa, ou sete pulinhos, pode definir meu destino? Como isso seria possível? Não faz sentido algum! Parece até um pensamento infantil! Como um adulto pode crer numa coisa dessas?!?!? Acredito que a maioria nem para pra pensar a respeito, simplesmente faz porque sempre fez, porque recebeu assim de seus antepassados.
Não é errado desejar viajar, trocar de carro, ter saúde, paz, nem mesmo querer ganhar mais dinheiro; o problema reside na maneira como encaramos essas coisas, pois é isso que elas são: apenas coisas, nada mais. Não podemos colocá-las acima de Deus ou das pessoas, nem pô-las em pé de igualdade. Precisamos priorizar o que, de fato, é mais importante. Não dá para ficar andando atrás de superstições para receber, receber e receber. Parece que é só isso que importa na atualidade! Será que nos tornamos religiosos, como os fariseus? Damos o dízimo, mas não amamos e não servimos. Que fé é essa?
Amado, ser igreja é fazer parte do Corpo de Cristo, não um meio para receber benefícios materiais. O templo não é lugar de receber, mas sim de dar. O bem mais precioso para nós, já nos foi dado, a saber: a vida eterna. Agora que já recebemos, somos convidados a dar. Mas, dar o quê? Amor a Deus e ao próximo, doando nossas vidas para o serviço do Rei. Por isso, espero, sinceramente, que, no próximo ano, você busque se aproximar mais do Senhor, evangelizar mais, trabalhar na igreja, amar mais o próximo e viver, em todo o tempo, o evangelho que pregamos.
Pr. Cremilson Meirelles


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O PODER DO PAGANISMO

            Sempre que o fim do ano se aproxima, começam os discursos contrários às celebrações que têm lugar nessa época. Uns criticam apenas o excessivo apelo comercial que envolve esses eventos, enquanto outros condenam tudo e todos que fazem parte deles. Estes últimos justificam sua postura asseverando que todas essas festas, bem como os elementos que as constituem, são de origem pagã. De acordo com essa visão, quem participa delas está adorando os demônios que outrora eram cultuados nessa data, atraindo, assim, maldições sobre sua vida. Além disso, os adeptos desse pensamento entendem que a simples utilização de objetos e símbolos de origem pagã pode trazer uma série de malefícios espirituais e físicos sobre o indivíduo.
            Todavia, por mais que procure fundamentação bíblica para essas crenças, não consigo encontrar. Talvez seja porque essa doutrina não está lá, visto que nunca foi um pensamento cristão. Provavelmente, esse é o motivo pelo qual só encontro essas ideias em filmes de terror, em histórias de duendes e fadas, no filme do Shrek, do Harry Potter, Senhor dos Anéis, etc. Até porque, elas só fazem sentido nesse contexto. Do contrário, estaríamos atribuindo ao paganismo um poder que ele não tem. Não podemos fazer mais nada, pois tudo é pagão, em todo lugar tem um demônio escondido, tem um símbolo do Diabo. Cruzes!!! Não há lugar seguro! Parece que Satanás domina tudo! Não sobra nada para Deus! Somos levados a viver com medo, porque o demônio pode estar escondido em objetos, em palavras, em atitudes. Podemos estar adorando o inimigo sem sabermos! Por mais que eu nunca tenha ouvido falar em Mitra, Janus, Semíramis ou qualquer outra divindade pagã, posso estar adorando a elas agora, sem saber! Ai meu Deus! Será que o computador também é de origem pagã? Bom, a escrita alfabética é. Então, devo estar adorando mesmo. E a roupa que estou vestindo? Será que quem a fez era cristão? E se não era?!? Estou numa enrascada!
            Você percebe o absurdo dessa crença? Não faz sentido algum! Se crermos assim, ficaremos loucos. Pois, cedo ou tarde, descobriremos que tudo o que existe, um dia, foi empregado para fins religiosos. Conforme explica Mircea Eliade (2008, p. 18),

tudo quanto o homem manejou, sentiu, encontrou ou amou pode tornar-se uma hierofania[1]. Sabemos, por exemplo, que no seu conjunto os gestos, as danças, as brincadeiras das crianças, os brinquedos têm origem religiosa: foram, no tempo, gestos ou objetos cultuais. Sabemos, do mesmo modo, que os instrumentos de música, a arquitetura e os meios de transporte (animais, carros, barcos, etc) começaram por ser objetos ou atividades sagradas. Podemos pensar que não existe nenhum animal ou planta importante que tenha participado da sacralidade no decurso da história.  


Se formos eliminar de nossas vidas tudo o que já foi usado no paganismo, tudo o que é de origem pagã, é melhor deixar de viver. Veja bem, até os nomes dados aos dias da semana, assim como os nomes dados aos meses do ano são de origem pagã. O que fazer? Dar novos nomes para “quebrar a maldição”? De acordo com Viola (2005, p. 30),

Janeiro refere-se ao deus romano Janus; Março ao deus romano Marte; Abril vem de Aprilis, o mês sagrado de Vênus; Maio à deusa Maia; e junho à deusa Juno; Domingo (Sunday) celebra o deus sol; Segunda-feira (Monday) é o dia da deusa lua; Terça-feira (Tuesday) refere-se ao deus guerreiro Tiw; Quarta-feira (Wednesday) ao deus teutônico Wotan; Quinta-feira (Thursday) ao deus escandinavo Thor; Sexta-feira (Friday) à deusa escandinava Frigg; e sábado (Saturday) refere-se a Saturno, o deus romano de agricultura.


            O próprio corpo humano já foi usado em cultos pagãos; o sexo também foi largamente empregado para esse fim. O que vamos fazer, abraçarmos o celibato? Nada escapa ao paganismo! Até a calça que você usa originou-se em um contexto pagão. Sabia disso? Ela surgiu entre os antigos persas, por volta do século VI a.C. Os persas eram pagãos. Como a calça era o traje típico deles, naturalmente, usavam-na em seus cultos. E aí, vai continuar usando? O códice, precursor dos modernos livros, surgiu no século I da era cristã, entre os gregos, que eram pagãos. Vamos parar de ler livros por causa disso?
            Muita gente abraça essas baboseiras, mas nem sabe o que significa ser pagão. Este termo vem do latim pagani, que se referia aos camponeses, à gente do campo, do interior. Estes eram assim chamados por habitarem o pagus, ou seja, o país (MABIRE, 1995). Como os interioranos foram os últimos a abandonarem a antiga religião greco-romana, o nome paganismo tornou-se a designação dada pela igreja a toda e qualquer religião nacional. Porquanto, como o Cristianismo tinha aspirações universais, contrastava com as religiões da época, que, em sua maioria, eram limitadas geográfica e culturalmente. Por isso, passaram a ser chamadas de pagãs. Contudo, mesmo que o Cristianismo tenha prevalecido, seu surgimento se deu em mundo dominado pelas crenças pagãs. Muito do que já existia naquela época havia sido produzido por pagãos (os judeus não inventaram tudo). Logo, é natural que alguns elementos culturais tenham sido assimilados. Isso ocorre até hoje. Basta ver os ritmos e instrumentos utilizados pelos músicos em nossas igrejas. Já existe pagode gospel, pop gospel, rock gospel, forró gospel, hip hop gospel, etc. As guitarras, os baixos, as baterias, os teclados... você acha que isso tudo surgiu em um contexto cristão? Você consegue imaginar Jesus cantando com as três Marias fazendo backing vocal, Pedro tocando guitarra, João na bateria e Tiago nos teclados? É claro que não! Essa prática é produto da cultura na qual estamos inseridos.
            Só porque os romanos dedicavam o dia 1º de janeiro a Janus, deus dos portões, eu não posso mais celebrar o ano novo? Que absurdo! O fato de reunirmos nossas famílias e agradecermos a Deus pelo alvorecer de um novo ano, não significa que estamos adorando um deus pagão. A maioria das pessoas nunca ouviu falar nesse tal de Janus, como podem, pois, estar adorando-o? O mesmo se aplica a Mitra. Fala sério! Quem pensa assim, está limitando a Deus. Nosso Deus é o Todo-poderoso, ninguém é maior que Ele! Tudo pertence a Ele: dias, lugares, objetos, animais, plantas; são as pessoas que atribuem significados a essas coisas, mas, no fim, são apenas coisas, inanimadas, não há deuses nem demônios nelas. O uso que fazemos das coisas é que determina seu significado para nós.
            Essa crença de que objetos utilizados em qualquer forma de magia, ocultismo ou religião idólatra ficam impregnados de emanações malignas, como se demônios de fato residissem nos mesmos, assim como a ideia de que há dias fastos e nefastos, é a maior expressão do antigo paganismo. Esse conceito de espíritos malignos habitando em árvores, casas e objetos, nada tem a ver com as Escrituras. Estas mostram demônios atuando exclusivamente em seres vivos, humanos ou animais.
Por causa do pavor das maldições, um monte de crentes se privam das celebrações de fim de ano, quando, na verdade, deveriam aproveitar o ensejo para proclamar o evangelho. Não é errado comemorar. Errado é esquecer o real significado do que fazemos. Mais errado ainda é não comemorar com base nessa besteirada. Ninguém vai ser “amaldiçoado” por objetos, palavras, ou festas. A Bíblia diz que “aquele que é nascido de Deus o maligno não toca” (1João 5.18). É hora de parar de bobeira e adorar ao Senhor todos os dias, inclusive, no natal e no ano novo!

Pr. Cremilson Meirelles





REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ELIADE, Mircea. Tratado de História das Religiões. Tradução de Fernando Tomaz e Natália Nunes. 3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

MABIRE, Jean; VIAL, Pierre. Os Solstícios: história e actualidade. Tradução de Nuno de Ataíde. Lisboa: Hugin, 1995.

VIOLA, Frank A. Cristianismo Pagão: analisando as origens das práticas e tradições da igreja. São Paulo: Abba Press, 2005.











[1] Uma manifestação do sagrado. Ao referir-se a esse “sagrado”, Eliade não tem em mente o Deus cristão, mas toda e qualquer forma de sobrenatural, pessoal ou impessoal. Ele quer dizer, portanto, que o homem utilizou tudo o que existe para adorar deuses. 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O VERDADEIRO NATAL

Puxa! Como o ano passou rápido! Já estamos quase no natal! Já vemos casas enfeitadas, árvores natalinas montadas em espaços públicos, igrejas preparando suas programações especiais e muita, mas muita gente gastando o que pode e o que não pode. É, esse é um dos problemas desse período: tendemos a focar mais o material do que o espiritual. Gastamos um dinheirão para atender às exigências da sociedade (roupas novas, peru, bacalhau, presentes, etc) e acabamos iniciando o ano pagando as contas do anterior. Isso é natal? Definitivamente, não. Todos esses elementos “imprescindíveis” foram acrescentados à festa para nos fazer gastar mais e mais. O pior é que caímos direitinho nessa.
Quero te convidar a fazer algo diferente neste natal. Ao invés de apenas brincar de “amigo oculto”, deixe de ser oculto na sociedade. Faça a diferença! Pregue e viva o evangelho! Ao invés de gastarmos um dinheirão em guloseimas que só vão nos trazer problemas de saúde, ajude alguém que necessita, que tem menos que você. Faça isso não só no natal, mas ao longo de todo o ano. Ao invés de esperar receber presentes, presenteie as pessoas com o evangelho, anuncie a Palavra! Trabalhe para Deus, use seus dons para edificação do Corpo de Cristo.
O nascimento de Jesus deve nos levar à reflexão a respeito do valor do ser humano. Porquanto, para resgatá-lo, Deus foi capaz de se autolimitar e nascer como homem. O que você tem feito pela humanidade? O que você tem feito pelo próximo? Será que abraçamos o espírito dessa festa capitalista e passamos a pensar só em receber? Ou será que, como Jesus, temos pensado nos outros e ajudado? Mas a quem devemos ajudar? A todo aquele que perece, que passa fome (tanto física quanto espiritual), que sofre. Além da ajuda que devemos dar aos nossos irmãos que têm trabalhado sozinhos na obra enquanto nós assistimos de camarote. Precisamos arregaçar as mangas e trabalhar! Feliz natal!

Pr. Cremilson Meirelles

sábado, 21 de dezembro de 2013

“AMIGO OCULTO” OU “PRESENTEADOR OCULTO”?

 
            É muito comum, nos últimos dias do ano, sermos convidados (ou intimados) a participarmos de um momento de troca de presentes, comumente chamado de “amigo oculto”, “amigo secreto”, “amigo invisível”. Esse evento, que tem lugar nas festas que caracterizam esse período (Natal, Ano Novo), se tornou, com o passar do tempo, uma tradição mundialmente conhecida. Assim, na atualidade, é realizado com frequência entre os colegas de trabalho, membros de igrejas, vizinhos, familiares, amigos, etc.
A despeito das críticas de extremistas evangélicos, acredito que os problemas dessa prática nada têm a ver com sua origem, seja ela pagã ou não. Vejo essa brincadeira como mais um fator motivador do consumismo e coisificador do ser humano. Isto porque, de amizade ela não tem nada. O que prevalece, na verdade, é o desejo de receber, não de dar; só dou porque sei que vou receber. Há uma espécie de relação comercial nisso: toma lá, dá cá. Muitos, inclusive, dependendo da qualidade do presente recebido, nem querem participar mais, pois criam uma expectativa que nem sempre é atendida. Acham que deveriam ganhar algo igual ou melhor do que aquilo que deram; quando isso não ocorre, ficam frustrados. Participar do evento vale a pena na medida em que eu sou beneficiado. O outro se torna um mero presenteador, não um amigo. Aliás, embora, na maioria das vezes, a brincadeira aconteça entre conhecidos, existe sempre a possibilidade de um desconhecido participar. Isso aumenta as chances de recebermos presentes que nunca usaremos.
Nessa atividade, o conceito de amigo é completamente descaracterizado, visto que o “amigo” é alguém que eu não sei quem é, mas do qual eu anseio receber um presente. Parece que quase dá para ouvir a mensagem implícita: só é meu amigo quem me presenteia; não importa quem seja, de onde vem; não quero nem vê-lo no resto do ano, apenas na hora de receber meu presente. Isso é amizade? É claro que não! Não há qualquer relacionamento entre os “amigos” a não ser no momento da troca de presentes. É óbvio que, em algumas situações, pode até acontecer de tirarmos alguém com quem realmente tenhamos afinidade. Mesmo assim, uma amizade verdadeira não depende de bons presentes, mas de companheirismo, cumplicidade, amor e perdão. Por isso, creio que “presenteador oculto” seria um nome mais apropriado para essa brincadeira.     
Por outro lado, a expressão “amigo secreto” é um tanto quanto contraditória. Porquanto, se alguém, de fato, é meu amigo, como posso não saber quem é? Amizade implica relacionamento, proximidade. Contudo, entendo que a expressão é somente um título para a brincadeira. Não sou maluco. Mesmo assim, penso que para promovermos uma atividade que fortalecesse os vínculos de amizade, ao invés de dar presentes, deveríamos fazer o mesmo sorteio, mas levar os participantes a passar um tempo com a pessoa que tiraram. Talvez, fazendo uma visita, almoçando juntos[1]. É possível que tal iniciativa contribuísse para a diminuição das panelinhas, sobretudo, no contexto das igrejas.
Pr. Cremilson Meirelles




[1] Tomando, é claro, as devidas precauções para evitar problemas relativos às relações entre homens e mulheres.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

3 FORMAS DE ENXERGAR A REALIDADE

Mensagem pregada no dia 08/11/13 na PIB em Manoel Corrêa
Texto Base: 1 João 4.20
Será que todos nós vemos o mundo do mesmo jeito? Será que olhamos para as pessoas da mesma forma? Acredito que não. No texto em pauta, o apóstolo João trata exatamente dessa diferença de olhares. Ele olhava para o ser humano e via alguém que deveria ser amado, porém sabia que havia pessoas que, embora admitissem amar a Deus, não amavam o próximo. É justamente neste ponto que se encontra a maior dificuldade humana: o bom relacionamento. Isto porque, somos seres relacionais, ou seja, estamos sempre em relação com algo ou alguém. Ora nos relacionamos conosco, ora com as coisas, ora com o outro e ora com Deus. A maneira como enxergamos a realidade é que vai definir como se processarão essas relações. Quem é Deus pra mim? Quem é o outro pra mim? Quem sou eu? O que as coisas representam pra mim? Responder a essas perguntas é de suma importância para que possamos conduzir nossos relacionamentos de maneira agradável a Deus. Por isso, gostaria de apontar nessa mensagem três formas de enxergar a realidade.

1-     A PARTIR DO “EU”
Infelizmente, esta é a nossa inclinação mais forte. Tendemos a enxergar o mundo a partir de nós mesmos. É como se tudo estivesse circunscrito ao meu ego. Tudo e todos devem convergir para mim. O que não sou “EU” deve ser “MEU”. Esquecemos que quando dizemos “EU”, o “TU”, naturalmente está presente. De outra maneira, quem seria o receptor? Para quem se diria “EU”? Definitivamente, não há “EU” sem “TU”. A realidade relacional em que vivemos só existe a partir dessa dupla inseparável chamada “EU” e “TU”.
O grande problema é que não conseguimos reconhecer o outro como relevante, como ser independente. Normalmente, vemos o mundo a partir da perspectiva do “EU”. Isto é, o mundo é o “meu mundo”, a rua é a “minha rua”, o trabalho é o “meu trabalho”, a igreja é a “minha igreja”. Note bem. Excluímos o outro o tempo todo. Consideramos nossas experiências como padrão, como regra. Todos devem se enquadrar na nossa maneira de experimentar as coisas. Nossos pensamentos são sempre mais importantes do que o dos outros. Por isso, os impomos às outras pessoas. Nossos sentimentos são sempre mais preciosos, nossa experiência sempre mais veraz. Talvez, essa seja a causa do melindre e da hipersensibilidade de muitos, que entendem que tudo o que o outro faz é para feri-lo, ou que deveria ser feito para agradá-lo. O mais triste é que tudo isso nos faz sofrer. No final, somos nós mesmos que pagamos a conta.
Essa ideia de que o mundo é uma extensão de nós mesmos, de que tudo gira em torno de nós, é resultado do anseio, inerente a todo ser humano, de retornar ao estado primevo. Sabe, quando éramos bebês tudo girava em torno de nós: as pessoas nos paparicavam, brigavam para nos pegar no colo, para nos dar comida, disputavam para nos dar os melhores presentes. Em suma, vivíamos como reis. Contudo, aos poucos essa vida foi sendo tirada de nós. Primeiro alguém disse que devíamos andar; em seguida, nos mandaram comer sozinhos; depois, disseram que teríamos que fazer nossa higiene sozinhos; até que, um dia, nos cobraram um emprego. Mas o mais interessante é que passamos o resto da vida querendo voltar à antiga condição, isto é, a sermos bebês. Acredito, inclusive, que alguns nunca deixaram de ser. Mas a maioria de nós anseia por uma vida “perfeita” na qual terá pessoas para lhe servir, paparicar, não precisará fazer esforço, pois terá motoristas (pessoas que nos levarão, tal como faziam quando éramos crianças). O problema é que um dia voltamos a essa condição (na velhice, ou na enfermidade). É aí que percebemos o quão importantes são as pessoas. Passamos a vida toda pensando em nós mesmos, sem considerar o “TU” como um outro “EU”, achando que só a nossa existência é relevante. Tempo desperdiçado.
Amado, o mundo, a vida cristã, a família, a vida conjugal, não estão limitados ao seu ser. Na verdade, são muito maiores que isso. Há vida além de nós mesmos. Existe outra vontade além da minha. Não podemos exigir que as pessoas pensem como nós, não podemos obriga-las a fazer algo que elas não conseguem realizar. Precisamos amar alguém além de nós mesmos (Mt 22.39). Quando enxergamos o mundo a partir de nós mesmos, não conseguimos enxergar o próximo. O resultado é aquilo que João destaca no texto em questão: dizemos amar a Deus, que não vemos, mas não amamos o próximo, ao qual vemos.

2-     A PARTIR DO “TU”
Como falamos, o simples fato de proferirmos o pronome “EU” já pressupõe a presença do “TU”. Até porque, um não existe sem o outro. Eu sou o “TU” para o outro e o outro é o “TU” para mim. Entretanto, algo que nos inquieta é a limitação que o “TU” nos impõe. Não posso possuí-lo, não posso controlar sua vontade, seu pensamento, seus sentimentos. Ele escapa ao meu controle! É livre em relação a mim. Não posso mudar isso. Mesmo que o escravize, nunca conseguirei total controle sobre ele. Muitos tentaram fazê-lo sem êxito. Pela força, tentaram superar a limitação imposta pelo “TU”, mas falharam. Isto porque, os escravizados, os dominados, continuavam pensando livremente, sentindo e experimentando cada coisa do seu jeito. Isso ninguém pode mudar!
Nossa dificuldade de enxergar a realidade a partir do “TU” reside no sentimento de estranheza que ele causa em nós. Porquanto, de certa forma, a realidade fora do “EU” é estranha, perigosa. Por isso, tento moldá-la para que se pareça comigo, tento encontrar nela traços de mim mesmo para que, através da identificação, possa torná-la familiar. Ajo como se o outro fosse uma coisa, algo que posso manipular. Aliás, temos a tendência de preferir a relação com as coisas do que com as pessoas. Isto porque, com as coisas podemos manter uma relação unilateral, visto que elas não respondem. São apenas manipuladas, fazemos delas o que queremos. Esse “controle” nos acalma. Por isso, queremos fazer o mesmo com as pessoas. Isto é, toda decisão ou ação parte de mim. O outro nunca tem o direito de pensar, sentir ou decidir, e mesmo se o fizer não terá importância nenhuma para mim. Entretanto, precisamos entender que a coisa não é um outro “EU”. Não há reciprocidade entre mim e uma pedra, por exemplo, mas entre o “EU” e o “TU” há. Portanto, tratemos o outro com igualdade. Esse é o princípio básico do Cristianismo: “amar o próximo como a mim mesmo”. Em resumo: da mesma forma que eu me considero digno de ser amado, respeitado e reconhecido, devo considerar o próximo. Preciso entender que, assim como eu, ele enfrenta dificuldades, tem limitações e é tão carente da graça divina quanto eu. Isso é enxergar a realidade a partir do “TU”.
Ademais, não podemos esquecer que ao mesmo tempo que o outro é igual a mim, ele também é diferente. Por isso, eu não tenho que querer que ele seja como eu, que pense como eu, que sinta como eu. Ele é único, assim como eu. Quando digo “EU” reconheço que existo como ser, diferente do mundo à minha volta. Da mesma maneira, quando digo “TU” reconheço que o outro existe e é diferente de mim, pois se fosse igual seria “EU”. É necessário entendermos que vivemos em um universo plural, onde o objetivo deve ser viver a realidade do “NÓS”, ou seja, do bom relacionamento com essa pluralidade, não do egocentrismo tão alimentado por nossa sociedade.

3-     A PARTIR DO “ELE”
Tudo o que “EU” nomeio como “ELE” traz em si uma ideia de distanciamento, porque se fosse próximo seria “TU”. “ELE” é estranho para mim, não faz parte do grupo. Por isso, me causa desconforto. Todavia, à medida que alguém se aproxima, deixa de ser “ELE” e passa a ser “TU”. No entanto, inicialmente, todos para nós são “ELE”. Esse é o princípio que utilizamos para segregar. Só integramos alguém, só nos aproximamos quando há familiaridade, quando há identificação. Do contrário, não há relacionamento.
Com base nesse princípio, buscamos transformar “ELE” em “TU” através da imposição de nossos pensamentos e/ou comportamento. Forçamos o outro a falar como nós, a vestir-se como nós, a cortar o cabelo como nós. É isso que as “tribos” da juventude pós-moderna fazem. Infelizmente, até nós, como crentes, às vezes, agimos assim. Consideramo-nos detentores da verdade e excluímos aqueles que discordam dessa verdade. Precisamos amar mais, ver o outro como “TU” sem que seja necessária essa “adequação”. Se a pessoa vai mudar, o responsável por essa mudança é o Espírito Santo, não nós.
Outra forma de transição é a identificação. Isto é, só transformo “ELE” em “TU” quando percebo nele características do “EU”. Se isso não acontece, mantenho distância. Isso aconteceu entre negros e brancos durante muito tempo. O negro era “ELE” porque sua cultura e sua cor eram diferentes. Contudo, eu quero te dizer uma coisa: pra Deus você nunca foi “ELE”. Para Ele, você sempre foi “TU”. Desde o princípio, Ele buscou relacionamento conosco. Nos criou à sua imagem e semelhança para mostrar que há identificação entre Ele e nós. Ele se adequou ao nosso entendimento, utilizando uma linguagem humana para se revelar. Ele até mesmo se encarnou, adequando-se por completo à nossa realidade. Tudo isso, para que você o visse como “TU” e não como “ELE”.
Diante disso, eu pergunto: quem é Deus pra você? O “TU” eterno, o totalmente outro, diferente de tudo que você já viu, esse mistério tremendo e fascinante com o qual você se relaciona? Ou você o relegou à posição de “ELE” mantendo-se distante, procurando-o somente quando precisa? Sabe, às vezes, queremos fazer com Deus o que fazemos com o outro. Queremos que ele seja a extensão do nosso “EU”, que faça nossas vontades, que cumpra nosso querer. Todavia, se Ele fizesse isso, não seria Deus, seria “EU”. Temos de vê-lo como “TU”. Porquanto, o “TU” não está sob meu controle. Ele faz o que quer. Deus é plenamente livre. Não podemos dominá-lo. Temos, na verdade, que nos submetermos a Ele.

CONCLUSÃO


            Visto isso, concluímos que, embora os relacionamentos sejam difíceis, precisamos aprender com Cristo como devemos proceder para que eles sejam saudáveis. Não podemos enxergar o mundo a partir de nós mesmos. Isto nos faz desprezarmos o outro. De igual modo, olhar para o outro sempre como “ELE” nada tem a ver com a mensagem de Jesus. Segregação nunca fez parte do evangelho. Portanto, não pode existir no contexto da Igreja. Olhar a partir da perspectiva do “TU”, deve ser nossa meta. Até porque, acredito que foi assim que Jesus olhou para nós. Deixemos de lado os preconceitos, os prejulgamentos, e assumamos uma postura mais agregadora.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

QUEM É O PAPAI NOEL?

Para muitas crianças a figura principal na época de natal é o “bom velhinho”, isto é, o Papai Noel. Há, inclusive, quem ache estranha a exibição de filmes sobre o nascimento de Jesus nesse período do ano, afinal, o Papai Noel é a figura de destaque, logo, se algum filme deve ser exibido, o protagonista tem de ser ele. Infelizmente, esse tem sido o pensamento predominante no Ocidente.
Com o fito de combater essa ideia, cristãos sinceros têm buscado, a partir da análise da origem dessa figura natalícia, extirpá-la, pelo menos, do contexto cristão. Todavia, isso não tem sido fácil, pois até mesmo pais cristãos têm incentivado tal crença. Por conta disso, ao invés de tratar do contexto histórico que originou o mito do “bom velhinho”, pretendo apontar neste artigo, não o que o Papai Noel significou um dia, mas aquilo que ele significa hoje, ou seja, a verdadeira identidade desse personagem mítico.
Olhando por esse prisma, a primeira asserção que pode ser feita acerca da pergunta utilizada como título desse artigo é que Papai Noel é o reflexo do anseios da sociedade. Isto é, ele tem, segundo o mito, condições de atender um dos maiores desejos do homem moderno, a saber, obter o maior número de bens com o mínimo de esforço. Sem dúvida, a melhor figura para representar tais anseios é a de um vovô bonzinho, que distribui presentes. A criança não precisa fazer nada, basta ser “boazinha”. Porém, mesmo que a criança não seja “boazinha” ela acaba sendo presenteada. Todos os anos, fazendo bem ou mal, as crianças recebem presentes do Papai Noel, ou seja, não é necessário fazer nada.
O próprio velhinho (Papai Noel) é o retrato dessa realidade. Ele não trabalha, não faz esforço algum, porquanto tem um monte de gente (duendes, gnomos ou coisa parecida) que realiza o serviço pesado por ele. O que ele faz? É simples: anda por aí com seu potente carrão (trenó) voador e resplandecente, tirando onda, rindo para aqueles que olham para ele (ho, ho, ho), a fim de mostrar que sua “vida boa” lhe dá muita felicidade. Além disso, ele é claramente um sedentário (por isso possui aquela barriga imensa), não faz nada, mas vive feliz. Mas em que consiste essa felicidade? Simples: ele é feliz porque tem dinheiro. De outro modo, como poderia presentear todo o mundo? Eis a mensagem inserida nesse contexto: quando somos ricos, somos felizes, podemos aproveitar a vida ao longo de todo o ano, desfilando em nossos carrões, tendo pessoas para trabalhar pra nós, e uma vez no ano ajudamos as pessoas (não é assim que acontece?) e posamos como pessoas bondosas diante da opinião pública.  
O maior problema é que, com a chegada da adolescência o mito é desmascarado e o indivíduo descobre que eram os próprios pais que lhe davam presentes, alimentando a fantasia infantil. Entretanto, ainda que o mito seja desfeito, o anseio por reviver as sensações proporcionadas por ele permanece, ou seja, a felicidade continua sendo associada à recepção de presentes. O material segue prevalecendo em detrimento do espiritual, do abstrato. É isso que Papai Noel ensina: “a felicidade só é possível mediante a aquisição de bens”. Contudo, quando crescemos descobrimos que os bens só podem ser adquiridos com dinheiro, daí pode-se depreender que Papai Noel implanta nos infantes o germe do capitalismo, visto que torna o dinheiro o bem mais importante, afinal, é esse elemento que viabiliza a “felicidade”.  
A partir daí, é possível perceber que o Papai Noel é uma figura incentivadora do capitalismo. É por causa dele que ter se torna mais importante do que ser. É ele quem nos desperta para o consumismo. Quando a criança recebe o presente, recebe com ele uma semente do capitalismo. Ela passa a entender que, sem os bens (presentes), não é possível ser feliz. Cabe ressaltar, no entanto, que os bens concedidos pelo Papai Noel não são permanentes, precisam ser constantemente substituídos. A cada ano é necessário receber um novo presente. Essa necessidade de renovação é levada para a idade adulta e é ultra dimensionada no contexto capitalista, ou seja, tal como ocorria quando éramos crianças, como adultos continuamos a buscar essa renovação material, o que temos nunca é bom o suficiente, sempre existirá algo novo, melhor, de última geração, algo que na verdade não precisamos, mas se não obtivermos ficaremos frustrados e, consequentemente, infelizes.
Enquanto somos crianças tudo isso é legal. Porém, ao adentrar na adolescência nos deparamos com o mundo verdadeiro, onde as coisas são mais difíceis, onde precisamos entender as dificuldades financeiras de nossos pais. Só aí descobrimos que, se quisermos suprir a necessidade de aquisição e renovação dos bens implantada em nós desde cedo, é necessário trabalhar bastante, assim como fazem os empregados do Papai Noel. Por falar nisso, você percebeu que os “gnomos” do “bom velhinho” são anões? Papai Noel, que não faz nada, é grande e gordo, mas os gnomos (ou duendes), que realmente trabalham, são pequenos e mais magros que ele. Os coitados são explorados por um homem, que não é tão velho (só tem barba e cabelo branco), comilão e sedentário (a barriga evidencia isso). O trabalho deles nunca termina. Eles são escravos, nunca podem sair de lá. Sempre que vemos os gnomos nas estórias eles estão trabalhando. Esse é o retrato da vida do homem na pós-modernidade, pois este se tornou escravo do sistema capitalista, o qual o faz trabalhar mesmo depois de sua aposentadoria a fim de suprir sua necessidade de consumir. Uns poucos possuem abundância (Papai Noel), enquanto outros perseguem constantemente a utopia consumista: preencher o vazio em seus corações com os bens adquiridos. Em outras palavras, uns se tornam anões, isto é cativos do capitalismo, enquanto outros se tornam velhos obesos e ricos, que dominam os anões.
Outro aspecto terrível desse personagem mítico chamado Papai Noel, é a aceitação da mentira como válida. Isto porque, a mentira contada, por anos, pelos pais introduz no inconsciente do indivíduo a idéia de que, dependendo do propósito, mentir é perfeitamente aceitável, e pode, inclusive, trazer felicidade. O problema é que, mesmo depois de mentir por tanto tempo, os pais cobram a verdade de seus filhos. Quando estes utilizam o expediente usado por aqueles são duramente repreendidos. Como será que fica a cabeça de alguém diante de tantas contradições? Certamente, isso desperta o desejo de retornar ao tempo da mentira, quando tudo era maravilhoso. Assim, a mentira passa a ser vista com bons olhos e a verdade como algo ruim.
Confesso que isso aconteceu comigo. Quando descobri que Papai Noel não existia, fiquei profundamente decepcionado. O Natal perdeu o sentido, foi despojado de sua beleza, se tornou um dia como outro qualquer. Passei a sentir falta da mentira que me contaram, pois o mundo real era ruim, sem graça, sem alegria. Aos meus olhos, até mesmo a imagem de meus pais ficou manchada, afinal, eles mentiram para mim. A partir daí, achei que deveria criar meu próprio mundo e não aceitar aquilo que criavam para mim. Meus pais, na minha concepção (como pensam muitos adolescentes) não sabiam de nada. Só eu podia me conduzir. Graças a Deus um dia recebi a Cristo como Salvador e essa visão foi alterada. Não obstante, a partir desse testemunho vemos o prejuízo que o “bom velhinho” pode causar.
Apesar disso, a conseqüência mais danosa da inserção do Papai Noel no contexto natalino é a propaganda negativa da figura divina. Porquanto, Papai Noel é, na verdade, um “substituto de Deus”, alguém que possui características transcendentes. Você já se perguntou por que ele é chamado de pai? Ele tem filhos? Há quem diga que ele é o pai de todas as crianças. Ora, quem é o pai de todos? Deus. Outrossim, o “bom velhinho”, assim como Deus, tem servos que trabalham para ele. Porém, alguém pode dizer: “é, mas isso não o torna divino”. Mas, se olharmos com mais atenção, perceberemos que Noel tem atributos divinos. 1º ele pode estar em vários lugares ao mesmo tempo; na noite de natal ele entrega presentes em todo o mundo, a todas as crianças. Como ele faz isso? 2º Papai Noel é um ser transcendente (voa e tens poderes mágicos) e ao mesmo tempo imanente (se relaciona com as pessoas, dando presentes). 3º É onisciente, pois conhece todas as crianças do mundo.   
            Embora tais aspectos pareçam inofensivos, eles fazem com que uma mensagem muito pior seja transmitida. Porque, conquanto possua todos os “poderes” mencionados, Papai Noel é uma figura fraca, pois depende de animais, de anões, da atenção de crianças e dos comerciantes, os quais fazem sua divulgação. Por conta disso, quando crescemos somos convidados a abandonar esses “mitos”, afinal, seres onipresentes, oniscientes fazem parte de um mundo fantasioso, ou seja, não são reais. Como adultos, precisamos ser independentes, autônomos, é necessário abraçar a subjetividade e abandonar as verdades absolutas, porque estas não existem, nós temos que construir nossas verdades. Essa é a mensagem do Papai Noel.
            O Senhor Jesus, quando veio ao mundo, trouxe uma mensagem completamente diferente. Ele mostrou a verdadeira necessidade humana: Deus. Com isso, fez exatamente o oposto do Papai Noel, pois não apresentou um deus dependente do humano, mas um homem dependente do divino.  Ademais, provou que Deus não é uma figura pertencente a um mundo imaginário, mas é um ser que intervém na história, é o “Deus conosco” (Emanuel). Jesus não incentivou o consumismo, mas o amor, o qual leva não a adquirir, mas a doar, a Deus e aos homens. Ele mostrou que o mais importante não são os bens materiais, mas os espirituais. Não deixemos, portanto, que essa figura estranha ao Natal, chamada Papai Noel, ofusque o acontecimento mais importante da História: o nascimento de Jesus. Não minta para seu filho, o pai da mentira é o diabo (Jo 8.44). Apresente a verdade a ele, a saber: Jesus.


Pr. Cremilson Meirelles