sábado, 31 de março de 2018

COELHO OU JESUS?

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
Resultado de imagem para coelho crucificado


            Quando chega essa época do ano, as lojas se enfeitam com coelhos e ovos de chocolate, as professoras nas escolas pintam os rostos das crianças com nariz e bigode de coelho, além de colocarem orelhinhas de papel em suas cabeças. É... a páscoa chegou. Uma festa que foi despida de seu caráter religioso e assumiu uma conotação exclusivamente comercial.
A igreja de Cristo, entretanto, se esforça para manter viva a fé que deu origem ao feriado. Apesar disso, muitos dos que professam a fé cristã continuam cedendo à tentação do chocolate. É claro, entretanto, que comer ovos de chocolate não é pecado; mas, sem dúvida, é um erro alimentar esse sistema que contraria nossa fé. Pois, enquanto o coelho e os ovos são destacados, a ressurreição de Cristo é relegada a segundo plano. Ou seja, numa celebração em que Jesus deveria ocupar o lugar central, o homem é entronizado por meio da promoção da gula.
            Comer ovos de chocolate nesse período é o mesmo que comer doces de Cosme e Damião em setembro. Porquanto, embora saibamos que nenhuma maldição virá sobre nós se os consumirmos, tal prática está diretamente ligada a uma compreensão religiosa que vai de encontro àquilo que cremos. É exatamente por isso que devemos evitar fazê-lo. Porque, do contrário, estaremos ensinando nossas crianças que o símbolo da páscoa é o coelho e a comilança, e não Jesus. Aliás, se analisarmos friamente os elementos da páscoa moderna, veremos que eles não se encaixam nem na Bíblia e nem na lógica. Senão vejamos: coelho não bota ovo! Não seria melhor se fosse uma “galinha da páscoa”? O que o coelho fez por nós? Qual a relação do coelho com o chocolate? Essas perguntas lançam luz sobre pontos frágeis desse folclore. Mas, o que a Bíblia diz?
            As Escrituras mostram claramente que a páscoa era uma festa israelita (Êx 12.1-8,11,14), que de modo algum foi ordenada à igreja. Na verdade, a noiva de Cristo só possui duas ordenanças, a saber: a Ceia (Lc 22.19) e o batismo (Mt 28.19). Páscoa é coisa de judeu. Os cristãos celebram a ressurreição de Cristo; e o fazem sempre que a Ceia do Senhor é celebrada. Afinal de contas, como diz a Bíblia, Ele é a nossa páscoa (1Co 5.7), isto é, o nosso cordeiro pascal. Não precisamos mais de animais para obtermos o perdão de nossos pecados, Jesus é plenamente capaz de fazê-lo. Foi Ele quem morreu por nós na cruz (Mc 15.33-41), não um coelho. Até porque, este, no judaísmo, era considerado imundo (Lv 11.5). Por isso, nem como metáfora é associado ao Filho de Deus. Jesus é o cordeiro de Deus (Jo 1.29), não o coelho. A ligação entre o coelho e os ovos nasceu no paganismo, não na igreja. Abandone esse negócio de coelho da páscoa. Não existe isso. Não celebre a gula, mas sim nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Ele é o autor e consumador da nossa fé (Hb 12.2), e não o coelho.
Pr. Cremilson Meirelles

terça-feira, 27 de março de 2018

COMO RECEBER O TÍTULO DE CRISTÃO EXTREMISTA – PARTE III

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa

         É impressionante como os conceitos mudaram! As virtudes que outrora caracterizaram os paladinos da fé, hoje em dia, são apontadas como indício de extremismo. Por conta disso, é imperioso que se levantem vozes dispostas a clamar no deserto relativista que cresce a cada dia no interior da igreja evangélica brasileira. Pois, do contrário, a degeneração espiritual continuará até que restem apenas uns poucos profetas escondidos em cavernas.
Pensando nisso, decidi redigir essa série de textos, a fim de criticar os perseguidores, mas, sobretudo, para encorajar os conservadores a resistirem firmes na fé (1Pedro 5.9). Porquanto, embora sejamos atacados diariamente, temos o aval das Escrituras, as quais asseveram: “se padece como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a Deus nesta parte” (1Pedro 4.16). Com essa certeza, seguimos em frente, destacando os posicionamentos que fazem a “esquerda evangélica” nos chamar de extremistas.
5 – Olhar com desconfiança as novidades
Há muito tempo, tanto na política quanto no âmbito religioso, os conservadores vêm sendo, erroneamente, classificados como indivíduos que não aceitam mudanças. Esse olhar parcial, produto da desinformação e do desejo de caricaturizar o oponente, lamentavelmente, tem influenciado muitas pessoas. De modo que grande parte da população imagina o conservador como alguém carrancudo e preso ao passado. O progressista, por outro lado, é visto como um cara legal, mais humano e amável.
No entanto, essa compreensão é resultado da miopia espiritual de alguns. Pois, o progressista não é tão “bonzinho” assim. Seu objetivo, ao contrário do que o termo parece sugerir, nada tem a ver com o progresso. Na verdade, a meta progressista é demolir o edifício doutrinário erguido pela ortodoxia, a fim de construir a partir de novos alicerces. Exatamente o que os marxistas querem: destruir o que foi edificado por nossos predecessores, para reconstruir segundo sua concepção de perfeição.
Ademais, ser conservador, definitivamente, não implica resistência a todo tipo de mudança. Até porque, um cristão conservador só resiste às mudanças que contrariam a sã doutrina; isto é, os princípios eternos revelados na Sagrada Escritura. Em razão disso, o cristão conservador está sempre atento, visando combater o falso ensino, ainda que este venha de um anjo descido do céu (Gálatas 1.8). Isso tudo por causa de sua fidelidade ao texto bíblico (2Timóteo 3.14-17).
Consequentemente, quando surgem novidades, tais como jargões, modelos ministeriais, movimentos paraeclesiásticos, e outros modismos, os conservadores não os aceitam de imediato, mas os submetem ao crivo das Escrituras. Assim, tudo o que não se alinha com o que a Bíblia ensina é rejeitado. Essa postura geralmente enfurece os progressistas, os quais se empenham em pintar uma imagem desfigurada dos defensores da fé, atribuindo-lhes adjetivos pejorativos.
Além disso, os opositores da fé cristã conservadora, com o fito de enfraquecer seus adversários, buscam, sutilmente, rebaixá-los intelectualmente; argumentando que sua suspicácia ante as inovações decorre da falta de aprofundamento teológico e da teimosia em discordar do que a maioria aceita. Como se a aceitação popular tivesse autoridade doutrinária.
            Destarte, após toda essa reflexão, fica evidente que o discurso que aponta os cristãos conservadores como “cães raivosos” desprovidos de intelecto, é no mínimo desonesto. Afinal, as particularidades elencadas até aqui revelam que, na realidade, os cristãos conservadores são apenas crentes fiéis às Escrituras, engajados na defesa da sã doutrina. E foi justamente por causa do empenho de pessoas assim que o Cristianismo chegou até nós. Portanto, ao invés de persegui-los, torne-se um deles, e lute pela fé que uma vez nos foi dada.
Pr. Cremilson Meirelles