sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O QUE TE MANTÉM NA IGREJA? - PARTE I

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa

A questão proposta acima, embora, inicialmente, pareça sem relevância, é determinante para identificarmos se vivemos uma espiritualidade saudável ou não. Pois, como afirmou o teólogo cristão Agostinho de Hipona (354 - 430), “não é tanto o que fazemos, mas o motivo pelo qual fazemos que determina a bondade ou a malícia”. Assim, ao contrário do que pensam alguns, no contexto da fé o mais importante não é o que realizamos, mas a razão pela qual realizamos. Com base nisso, eu te pergunto: o que te mantém na igreja? O que te motiva a fazer o que você faz? As respostas para essas indagações são cruciais para identificar quem somos nós: sócios de um clube ou filhos de Deus?
Se somos filhos de Deus (João 1.12), nossa motivação deve vir justamente de nossa fé em Jesus Cristo e do amor que temos por Ele. Isto nos levará, naturalmente, a nos filiarmos a uma igreja e a participarmos de suas programações. Porquanto, a partir do momento em que o indivíduo crê no Filho de Deus, reconhecendo-o como Senhor e Salvador de sua vida, é regenerado pelo Espírito Santo e passa a viver para glória do Todo-poderoso. Em consequência disso, realiza boas obras (Efésios 2.10), louva ao Senhor com canções (Colossenses 3.16), se reúne regularmente com os que professam a mesma fé para prestar culto a Deus (Hebreus 10.25), estuda a Palavra (2Timóteo 2.15), proclama o evangelho (Marcos 16.15), e persevera na fé (1Pe 1.5; 1Jo 2.19).
Contudo, há pessoas que confessam ter fé em Jesus, porém não têm prazer nas atividades mencionadas acima. Então, o que as faz comparecer às reuniões da igreja? Uma possibilidade é o interesse na socialização, haja vista que a igreja, enquanto grupo social, exerce muito bem o papel socializador; uma vez que congrega pobres e ricos, doutos e indoutos, deficientes e não deficientes, sob a égide do amor fraternal. Por conta disso, sempre há quem se aproxime de uma congregação cristã em busca de inclusão. Apesar disso, essa motivação, por si só, é incapaz de manter o indivíduo unido a uma comunidade de fé, porque, no momento em que um dos membros dessa comunidade agir de maneira excludente, o “irmão”, ofendido, abandonará o grupo; desobedecendo as Escrituras (Hebreus 10.25) e os ensinos do Mestre (Mateus 18.15-20).
Outro fator motivador é o exercício de funções na estrutura organizacional da igreja e na liturgia do culto. Lamentavelmente, esse elemento é muito comum nas igrejas. Há pessoas que fazem de tudo para conseguir cargos; e, quando os conseguem, são capazes, até mesmo, de brigar para mantê-los. Assim, se, por um lado, essa “cargolatria” é responsável por manter alguns na igreja, por outro lado, ela promove a saída de muitos. Isto porque, quando perdem seus cargos, os “cargólatras”, ou procuram outro lugar para exercer cargos, ou deixam de congregar. A “cargolatria” é um problema tão grave, que leva pessoas a comparecerem somente nas programações em que têm certeza de que exercerão alguma função.
O que está por trás dessa “cargolatria”, na verdade, é a “egolatria”, pois o indivíduo se considera tão bom em determinada área, que, na sua concepção, seria até pecado não deixá-lo atuar nela. Com isso, tende a desprezar os outros, vendo-os como inferiores, ou mesmo como competidores (inimigos). Por essa razão, às vezes, há, no seio de uma igreja local, inimizades, ciúmes, discórdias, facções; atitudes que a Bíblia nomeia como “obras da carne” (Gálatas 5.20). Como é triste saber que isso acontece nas igrejas...
Continua...
Pr. Cremilson Meirelles

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O VERDADEIRO IMPERATIVO



 Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa

Ao contrário do que costumamos pensar, o imperativo da evangelização não é ir, mas sim fazer discípulos. Esta verdade fica evidente quando analisamos o texto de Mateus 28.19 em seu idioma original (o grego). Porquanto, no grego, o termo traduzido como “ide” está no presente do indicativo, e não no imperativo. Somente a expressão “fazei” está no modo imperativo. Sendo assim, a melhor tradução seria “Portanto, indo, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. Isto porque, na língua grega, o presente é sempre contínuo, ou seja, traz sempre a ideia de uma ação que continua acontecendo mesmo depois que o indivíduo termina sua fala.
Esses conceitos, sem dúvida, são estranhos para nós. Afinal, falamos português, e não grego. Contudo, é importante tratarmos dessa questão para que fique bem claro qual é a nossa missão. Até porque, se pensarmos que a missão da igreja se resume em “ir”, concluiremos que, se sairmos às ruas acompanhando uma multidão de cristãos, ainda que não falemos nada com ninguém, teremos cumprido a ordem de Jesus; o que não é verdade. Pois, a missão que nos foi confiada é muito maior do que apenas deslocamento geográfico. O cumprimento da Grande Comissão envolve investimento de tempo, ensino, oração, testemunho. Não dá para fazer discípulos sem gastar tempo com as pessoas.
Todavia, a igreja cristã foi gradativamente se afastando do ideal bíblico de evangelização, de modo que, na atualidade, evangelizar se tornou muito mais a divulgação do entretenimento que as congregações locais oferecem, do que a proclamação da boa notícia. Por isso, busca-se, cada vez mais, produzir programações que agradem as pessoas, a fim de que estas sejam agregadas à igreja local. Consequentemente, muitos não convertidos acabam sendo recebidos como membros.
O grande problema disso, é que acabamos tendo a falsa impressão de que a igreja está crescendo, visto que baseamo-nos no número de novos filiados. Entretanto, quando virtudes verdadeiramente cristãs, tais como o perdão e a compaixão são necessárias, muitas dessas pessoas não conseguem demonstrá-las. Porque a razão que os levou à filiação foi a qualidade dos eventos produzidos, e não a fé em Jesus Cristo. Isto nos faz pensar: será que realmente temos divulgado a mensagem bíblica? Temos cumprido a missão? Temos anunciado o evangelho?
Sinceramente, as igrejas não precisam de mais eventos ou programações, precisam, na verdade, cumprir a missão, isto é, fazer discípulos! Este é o imperativo dado pelo Filho de Deus, e deve ser cumprido diariamente. Não podemos nos limitar às atividades evangelísticas da igreja local. Temos de fazer discípulos em todo lugar. Se dissermos que a igreja não evangeliza porque não acontecem tantas programações evangelísticas quanto “achamos” que deve ter, estaremos nos acusando. Porquanto, nós somos a igreja, onde quer que estejamos. A igreja local não é um prédio, mas um grupo pessoas regeneradas que se reúnem para cultuar, estudar as Escrituras e proclamar a Boa Nova.
É de suma importância que compreendamos a real natureza da nossa missão, e venhamos a pô-la em prática. Não podemos terceirizar isso para quem quer que seja (missionário, pastor, diácono, etc). A missão é de todos! Sem exceção! Se você é igreja, tem de se preocupar com isso e quebrar a inércia. “Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? (Romanos 10.13,14)

Pr. Cremilson Meirelles