domingo, 29 de maio de 2016

A BÍBLIA E O PASTORADO FEMININO - PARTE IV

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
 
O problema da inversão de papéis no primeiro século, tal como ocorre hoje, resultava de uma interpretação equivocada das Escrituras. O princípio destacado em Gálatas 3.28 (não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus) foi entendido como uma base sólida para uma visão igualitarista, ou seja, uma perspectiva que entende que, originalmente, Deus criou homem e mulher iguais, porém, com a queda, veio o domínio masculino sobre as mulheres, como parte do castigo divino. Contudo, após a morte e ressurreição de Cristo, a condição original foi restaurada, de modo que a mulher não precisa mais se submeter à autoridade masculina.

A maior dificuldade dessa interpretação, é que, para sustentá-la, é necessário invalidar algumas partes das Escrituras. Até porque, Paulo, em 1Timóteo 2.13,14, derruba esse pensamento recorrendo àquilo que Deus fez antes da queda. Isto é, baseando-se na ordem da criação, o apóstolo reforça o princípio da liderança masculina na igreja. Por conta disso, normalmente, quem defende o ministério pastoral feminino costuma desqualificar esse texto, argumentando que se trata de um pensamento exclusivo do apóstolo, e não de Deus. Essa argumentação, entretanto, contraria diretamente a doutrina da inspiração das Escrituras e torna a afirmação de Paulo em 1Coríntios 14.37 uma mentira. Afinal, nesta passagem, ele declara que seus escritos são “mandamentos do Senhor”. Como desqualificar algo assim?

Ademais, se o ministério pastoral feminino fosse, de fato, uma verdade neotestamentária, por que Paulo não fala sobre pastoras, bispas e presbíteras? Aliás, por que Jesus não chamou nenhuma apóstola? Muitos respondem a esse questionamento dizendo que a cultura da época não permitia. Esse argumento, todavia, não se sustenta, porquanto Jesus, inúmeras vezes, contrariou a cultura por causa de suas convicções. Se olharmos, por exemplo, o episódio em que Marta se ocupa dos afazeres domésticos enquanto sua irmã aprende aos pés do Senhor (Lucas 10.38-42), veremos que Jesus estava contrariando a cultura judaica ao permitir que uma mulher assumisse a postura de discípula. Noutra ocasião, em Mateus 9.9-13, Jesus vai de encontro aos conceitos de sua sociedade ao chamar um cobrador de impostos para ser um de seus discípulos. Em Mateus 15.1-11, vemos também que Jesus ensinara seus discípulos a “transgredir” a tradição dos anciãos, não lavando as mãos antes de comer. Cada uma dessas atitudes fez com que Ele ficasse mal visto pelas autoridades religiosas. Ora, será que a ordenação de uma apóstola seria algo tão fora do comum para alguém que confrontava sua cultura diariamente?

Outrossim, se havia alguma igreja liderada por mulheres no período apostólico, como os defensores da ordenação feminina querem crer, por que nenhuma carta foi direcionada a uma delas? Afinal, seria muito difícil ser “pastora” naquela época, visto que o papel da mulher naquelas sociedades era bem diferente de hoje. Certamente, uma “pastora” precisaria de orientações e encorajamento. Timóteo, só porque era um pastor jovem, recebeu instruções de Paulo; por que, então, nenhuma “pastora” recebeu uma carta sequer? A resposta é óbvia: porque não existiam pastoras.

Usar Gálatas 3.28 para defender o pastorado feminino é um completo absurdo. Pois o texto trata da justificação pela fé em Cristo. Isto é, a ideia é que, independente de cor, raça, posição social ou sexo, são igualmente recebidos por Deus, pela fé. O texto não trata de cargos na igreja ou do desempenho dos papéis masculino e feminino. Dizer isso seria violentar o texto.

Continua...

Pr. Cremilson Meirelles

sexta-feira, 27 de maio de 2016

TAPETES DE SAL?

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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Recentemente, em diversos locais do Brasil, algumas ruas foram enfeitadas com os famosos tapetes de sal. Esta manifestação artístico-religiosa ocorre anualmente como parte da festa católica conhecida como “Corpus Christi”, expressão latina que significa Corpo de Cristo. A festa de “Corpus Christi” originou-se na Bélgica, no século XIII d.C, a partir de uma experiência mística vivida por uma freira, que afirmou ter recebido uma revelação de Jesus Cristo, na qual o Filho de Deus lhe falara da necessidade de todos reconhecerem Sua presença na Eucaristia (Ceia do Senhor). Isto é, de acordo com a tradição católica, a experiência da freira belga, posteriormente canonizada e denominada Santa Juliana de Mont Cornillon, seria a ratificação da “transubstanciação”, doutrina católica que defende a transformação física do vinho e do pão usados na Ceia do Senhor, em sangue e carne. Essa concepção se baseia numa interpretação literal do dito de Jesus por ocasião da última ceia: “isto é o meu corpo” (Mateus 26.26). Sabemos, entretanto, que, em vários de seus discursos, o Filho de Deus utilizou metáforas. Um exemplo disso é a declaração “eu sou a porta” (João 10.9). Ora, Jesus não era feito de madeira e nem tinha maçaneta! É óbvio que ele estava usando uma linguagem figurada, assim como o fez ao dizer que o pão era o Seu corpo. Até porque, não tinha como o pão ser o corpo dele, pois ele, com o seu corpo, estava segurando o pão! Se o pão fosse o corpo dele, era o pão quem deveria proferir a frase! Por isso, não faz sentido entender literalmente a frase de Jesus.
Enfim, após ter recebido a “revelação” de Jesus, a freira Juliana solicitou ao bispo de Liège, importante cidade belga, que autorizasse a realização de uma festa anual, a fim de atender ao mandado do Filho de Deus. Dada a autorização, a celebração passou a ser marcada por uma procissão na qual o “ostensório”, objeto dourado semelhante ao sol e que transporta a hóstia, é levado às ruas. Aliás, esse é o único dia do ano em que isso acontece.
Em 8 de setembro de 1964, o Papa ordenou que a festa se estendesse por todo o mundo, fixando-a na quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no domingo seguinte ao Pentecostes, que, conforme o calendário litúrgico católico, é celebrado 50 dias após o domingo da ressurreição (conhecido popularmente como domingo de Páscoa).
Voltando à questão dos tapetes de sal, embora estes estejam associados à festa de “Corpus Christi”, seu surgimento é posterior. Pois, gradativamente, se desenvolveu entre o povo o costume de enfeitar as casas com flores e as ruas com tapetes ornamentados que retratavam o motivo da celebração. Este desenvolvimento se deu nas terras europeias, mais especificamente, em Portugal. Através da colonização e da imigração dos açorianos (pessoas nascidas na ilha portuguesa dos Açores), essa tradição chegou ao Brasil.
É importante destacar que os “tapetes” não são feitos exclusivamente de sal. Diversos materiais, tais como borra de café, serragem e areia, são empregados em sua confecção. Além disso, por estes “tapetes” passa a procissão que transporta o “ostensório”. Isto é, trata-se de uma manifestação religiosa popular que visa a manutenção dos símbolos e da fé católica.
É claro que não praticamos esse tipo de ritualística. Contudo, isso nos faz refletir: não seriam as “marchas pra Jesus” versões evangélicas desse tipo de manifestação? Afinal, a Bíblia, em momento algum, nos manda fazermos procissões ou marchas para anunciarmos o evangelho, mas sim comunicarmos verbalmente e diariamente sua mensagem, tal como fizeram Jesus e seus apóstolos.
Pr. Cremilson Meirelles