segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

SE HOUVER ALGUÉM EM PECADO A IGREJA NÃO CRESCE?


Pastoral redigida para o boletim dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
 
Será que isso é verdade? Se alguém estiver em pecado na igreja local, não haverá conversões? Muitos creem que sim. Contudo, há um erro crasso nesse pensamento, uma vez que ele fere a afirmação bíblica de que todos somos pecadores. Ora, se somos pecadores, naturalmente, cometeremos pecados ao longo da vida. Sendo assim, se seguirmos a lógica apresentada acima, nenhuma igreja deveria crescer, ninguém deveria se converter. Afinal, sempre haverá alguém pecando, pois a igreja é constituída de pecadores. “Na verdade, não há homem justo sobre a terra, que faça o bem e nunca peque” (Eclesiastes 7.20).
O próprio Jesus, em dado momento, destaca que, embora tenha realizado a maior parte de seus prodígios nas cidades de Corazim e Betsaida, os habitantes o rejeitaram (Mateus 11.20-24). Aí eu pergunto: quem estava em pecado naquela ocasião para que não houvesse conversões? Jesus? É claro que não. Ele nunca pecou (1Pedro 2.21,22). Então, por que o rejeitaram? Simples: porque quiseram. Não podemos colocar nas mãos dos homens a conversão dos outros. As pessoas se convertem por ouvirem o evangelho (Romanos 10.17) e serem convencidas pelo Espírito Santo (João 16.8), não porque a igreja está “sem pecados”. Até porque, o evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1.16).
Acerca disso, é interessante observar a argumentação de Paulo em sua carta aos Filipenses. Porquanto, naquela ocasião, o apóstolo declarou que havia pessoas pregando o evangelho verdadeiro, com motivos errados (inveja, rivalidade). Mesmo assim, ele se alegrava, visto que o evangelho estava sendo apregoado (Filipenses 1.15-18). Em momento algum ele temeu que alguém não se convertesse por conta do pecado daqueles pregadores.
A esse respeito Gordon Clark relata que, certa vez, “na Universidade da Pensilvânia, um professor de história leu para seus alunos o sermão ‘pecadores nas mãos de um Deus irado’ de Jonathan Edwards. O objetivo do professor era mostrar quão rudes, desagradáveis e rabugentos os puritanos da Nova Inglaterra eram. Por causa de sua leitura, contudo, pelo menos um estudante foi convertido ao Cristianismo”.
            A salvação de alguém não depende da santidade do pregador, e nem mesmo da boa conduta de uma congregação, mas do Deus misericordioso que oferece gratuitamente a redenção por meio de Jesus Cristo. Por conta disso, ainda que um ímpio pregue o evangelho pode haver conversões. Um exemplo bem claro disso é a atuação bem sucedida dos apóstolos, a qual é salientada por dois evangelistas (Marcos 6.7-13; Lucas 9.1-10), mesmo que estivesse entre eles aquele a quem Jesus se referiu como sendo “um diabo” (João 6.70), isto é, um falso discípulo. Como, pois, seguindo a linha do “pecado que impede conversões”, poderíamos conceber o sucesso da pregação apostólica, já que um deles era dissimulado? Teoricamente, nada deveria acontecer, nem curas, nem expulsões de demônios, e, muito menos, conversões. Você percebe o absurdo desse pensamento?
            A despeito dessas incoerências, alguns, na tentativa de justificar essa ideia, utilizam como fundamento o episódio conhecido como “o pecado de Acã”. Entretanto, essa “justificativa” não se sustenta, uma vez que o contexto no qual esse pecado ocorreu nada tem a ver com a realidade da igreja de Cristo. Enquanto os cristãos apregoam o evangelho do Reino com a esperança de que seus ouvintes sejam salvos, naquela ocasião os israelitas intentavam tomar a cidade de Ai e matar seus habitantes (Josué 8.24). Viu a diferença? O pecado de Israel (Josué 7.1) naquele contexto os impediu de realizar a matança, pois Deus não foi com eles. O que isso tem a ver com a igreja? Nada. É balela! Esqueça isso e pregue o evangelho, e Deus mesmo dará o crescimento.
                      Pr. Cremilson Meirelles
 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

MANJEDOURA OU CRUZ?

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa

A expressão “menino Jesus” é muito comum nesta época do ano. Isto porque, a festa conhecida como “natal”, embora tenha sido invadida por elementos estranhos (Papai Noel, árvore, pisca-pisca, presentes, etc), visa à celebração do nascimento de Cristo. Acerca disso, é importante salientar que não há problema algum na expressão em si, visto que é mencionada no texto bíblico (Lucas 2.27).

Contudo, se pensarmos bem, concluiremos uma verdade tão óbvia que, na maioria das vezes, passa despercebida, a saber: o natal não celebra apenas o nascimento de Jesus, mas, sobretudo, sua obra redentora. Porquanto, em Cristo, o Todo-poderoso se fez carne com o propósito de redimir a humanidade perdida, por meio de sua morte vicária na cruz do Calvário. Isto foi apontado por um anjo por ocasião do nascimento do Filho de Deus: “[...] vos nasceu hoje o Salvador [...]” (Lucas 2.11). Ele “veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19.10). “Ele foi ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre Ele” (Isaías 53.5). Não dá para negligenciar isso! Focar a manjedoura e esquecer a cruz é um erro crasso.

A verdade pura e simples é que Jesus nasceu para morrer. Sendo assim, no natal, a mensagem não sofre alterações, continuamos pregando Jesus Cristo, e este crucificado (1Coríntios 2.2). Afinal de contas, se Ele não nascesse não poderia morrer, se não morresse não poderia ressuscitar. Isto é, toda a obra redentora está vinculada, não há como falar do nascimento sem falar de seu objetivo final.

Aparentemente, Simeão foi o único que, ao ver o menino Jesus, compreendeu a dimensão do que Deus faria através d’Ele, pois afirmou: “Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição” (Lucas 2.34). Em resumo, a declaração de Simeão deixa claro que Jesus seria um grande divisor; de modo que uns o rejeitariam e outros o aceitariam.

Enfim, o natal deve ser, mais que uma festa de comilança e bebedeiras, um momento de reflexão, proclamação e celebração ao Todo-poderoso. Não permita que as tradições ofusquem isso. Reúna sua família, ore a Deus, leia as Escrituras, anuncie a mensagem da cruz, destaque o amor divino por nós, e louve o Rei dos reis por suas obras. Deus o abençoe! Feliz natal!

Pr. Cremilson Meirelles