terça-feira, 30 de julho de 2013

EXISTEM MALDIÇÕES HEREDITÁRIAS?



Será que algo que meus pais ou meus avós fizeram pode me afetar na “esfera espiritual”? Por exemplo, se meu pai tivesse servido a Satanás e me oferecido ao demônio quando nasci eu estaria fadado ao fracasso caso não quebrasse essa maldição, mesmo tendo recebido a Cristo como Salvador? Isso não só é um absurdo como também é uma heresia, visto que não há nenhuma fundamentação bíblica para tal afirmação. Trata-se de mais uma tentativa humana de, tal como aconteceu no Éden, transferir a responsabilidade pelas consequências de seus próprios erros. Ninguém quer assumir o erro, a culpa é do diabo, do meu irmão, dos meus pais, avós, etc.
O texto usado como base para essa doutrina herética é Êxodo 20.5, pois, no texto, Deus declara que visita a maldade dos pais nos filhos até a quarta geração. É óbvio, entretanto, que tal assertiva fora feita em um contexto particular e dirigida ao povo de Israel, porquanto, naquela época era comum a convivência de várias gerações ao mesmo tempo. Por exemplo: 1ª Pai, 2ª Filhos, 3ª Netos, 4ª Bisnetos. Todos esses eram comandados pelo patriarca. Ele era o líder do clã. Sendo assim, a religião seguida por ele seria também adotada por toda a família. Por isso, Deus alerta o povo. Pois, se o patriarca adotasse o paganismo cananeu, toda a família cederia, e, se todos cedessem, todos seriam castigados. Por que “a alma que pecar essa morrerá” (Ez 18.4).
A doutrina de maldições hereditárias esbarra na falta de uniformidade dos textos que, supostamente, a sustentam. Isto fica claro, por exemplo, em Dt 24.16 e Ez 18. No versículo 20 de Ezequiel 18, inclusive, esse pensamento é jogado por terra, pois o profeta assevera: “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele”. Se você não quiser me ouvir, pelo menos ouça a Escritura. Abandone essa besteira de maldição hereditária.

Pr. Cremilson Meirelles

quinta-feira, 25 de julho de 2013

OS SONHOS DE DEUS




“Os sonhos de Deus não podem ser frustrados”! Quantas vezes ouvimos frases desse tipo. No entanto, dificilmente paramos para refletir na questão suscitada por essa expressão: será que Deus sonha? Ora, quando falamos em sonhos existem duas aplicações para tal termo. Podemos usar a palavra sonho para nos referir às imagens que vêm às nossas mentes quando dormimos, ou aos nossos desejos e aspirações. Por exemplo, muitos “sonham em ter uma casa própria”. Sendo assim, fica difícil atribuir essa característica a Deus. Você consegue imaginar Deus dormindo? Roncando? Isso é totalmente antibíblico! Até porque, Deus não possui as deficiências humanas. Ele não cansa, não dorme, nem cochila (Sl 121.4).
Acredito que até aí fica difícil discordar, porém, quando tratamos do sonhar no sentido de desejar, há pessoas que defendem fervorosamente a ideia de que Deus sonha. Não obstante, esse “sonhar” em hipótese alguma pode ser atribuído ao Senhor, visto que esse tipo de sonho está associado a algo fantasioso, que pode ou não ser realizado. Esse tipo de sonho, definitivamente, Deus não tem. Basta observarmos os atributos divinos e perceberemos o absurdo dessa ideia. Pois, como poderia um Deus onipotente (que pode todas as coisas) ficar fantasiando algo que deseja que aconteça? Ele pode realizar o que quiser! “Porque para Deus nada é impossível” (Lc 1.37). Além disso, Ele já sabe tudo o que vai acontecer. Afinal é onisciente! Ele conhece as palavras que diremos antes mesmo que as digamos (Sl 139.4), Ele já te conhecia antes da fundação do mundo (Ef 1.4), Ele sabe até as possibilidades (1Sm 23.11-13). Como poderia, então, Deus fantasiar alguma coisa? Deus não sonha. Esqueça essa baboseira de “sonhos de Deus”! Não existe nada na Bíblia que prove o contrário.

Pr. Cremilson Meirelles

sábado, 20 de julho de 2013

ALMA GÊMEA?


Existe em nossa sociedade uma ideia extremamente problemática e extrabíblica, que leva muitos a serem infelizes em seu relacionamento conjugal. Estou me referindo ao pensamento de que uma pessoa foi separada por Deus para nós, desde a eternidade, ou seja, uma alma gêmea, alguém com quem seremos extremamente felizes, basta que nos encontremos. Essa doutrina tem sido tema de muitos filmes, novelas e, até mesmo, livros. Há quem creia que enfrenta dificuldades em seu casamento porque se casou com a pessoa errada.
Entretanto, quando observamos de perto essa doutrina, percebemos que ela possui uma série de incoerências. Porquanto, se crermos assim, teremos que entender que os planos de Deus não são perfeitos, pois, embora Deus tenha criado uma pessoa especialmente para te fazer feliz, personalizada para você, existe a possibilidade de não encontrá-la. Ora, se é para você não encontrar, para quê criá-la? Além disso, se vocês não se encontraram, significa que nem você nem ela cumpriram o propósito de sua existência. Contudo, a Bíblia diz que o propósito de nossa existência é glorificar a Deus (Ef 1.5,6), logo essa visão está totalmente equivocada. Não existe esse negócio de que alguém foi criado sob medida para o outro. A única vez que isso aconteceu foi com Adão, quando Deus criou Eva especificamente para ele. Mas, mesmo assim, eles não ficaram isentos de problemas conjugais (Gn 3.12). Isso mostra que todo relacionamento tem dificuldades.
Muitos acham que seu casamento tem problemas porque não é de Deus. Será que isso está certo? Vejamos o que a Bíblia nos diz. Em Mt 19.3-6, vemos Jesus sendo abordado pelos fariseus acerca das questões relativas ao divórcio. Na ocasião, Jesus tira o foco do divórcio e aponta para o objetivo original de Deus, o casamento. Ele ressalta que no princípio Deus criou “macho e fêmea”, na sequência Ele diz: “[...] o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19.6b). Ao observarmos esse texto, vemos que Jesus não está dizendo que há casamentos que são de Deus e outros que não são, mas está declarando que toda união matrimonial entre homem e mulher é de Deus. Até porque, ele é o instituidor do casamento. A preocupação de Jesus não era com a identidade dos cônjuges, mas com a continuidade do matrimônio, pois o que Deus ajuntou, na verdade, foi macho e fêmea, não “Joãozinho” e “Mariazinha”.
É óbvio que há escolhas que naturalmente vão te conduzir ao sofrimento. Por exemplo, se uma mulher decide casar com um homem violento, com um alcoólatra ou com um adúltero, certamente derramará muitas lágrimas. No entanto, as desavenças conjugais não podem ser atribuídas a um "erro do destino" ou de Deus. Até porque, se o seu casamento não é de Deus, isso significa que você tem que separar-se para que possa encontrar a "pessoa certa". Assim, Deus estaria contrariando a frase dita por Jesus: “o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19.6b). Seria isto possível?

      Além disso, a doutrina da "alma gêmea" é de origem espírita, ou seja, totalmente estranha às Escrituras.  Até porque, o próprio Jesus disse que "no céu seremos como os anjos, que não se casam e não se dão em casamento" (Mt 22.30). Como então estaríamos unidos eternamente a outro ser? Portanto, a conclusão inevitável é que não há "almas gêmeas" que permanecerão unidas pela eternidade.

Pr. Cremilson Meirelles

domingo, 14 de julho de 2013

EU NÃO PROFETIZO SOBRE A SUA VIDA E NEM TE ABENÇÔO



É triste, mas mesmo depois de uma série de estudos versando sobre a temática “batalha espiritual”, os quais, na verdade, foram uma crítica aos erros desse movimento, percebo que, em minha igreja muitos ainda carregam os resquícios das heresias que lhes foram ensinadas pela mídia. Porquanto, ouço alguns ainda dizendo coisas do tipo: “é claro que isso não vai dar certo, você está profetizando que vai dar errado”; “temos de profetizar bênçãos sobre a vida de nossos irmãos”. Que absurdo! Só a Bíblia pode nos socorrer neste momento. Por isso, decidi reapresentar argumentos bíblicos contra essa doutrina maléfica.
1º A Escritura afirma categoricamente que “a profecia NUNCA foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2Pe 1.21). Como poderíamos, então, “profetizar” aquilo que gostaríamos que acontecesse? Nossas palavras são mágicas?!? É óbvio que não. Crer nisso é o mesmo que crer que uma palavra como abracadabra tenha poder para realizar alguma coisa.
2º Em Ez 37, Deus, quando manda Ezequiel profetizar, tinha em mente a pregação da Palavra. Tanto, que, ao mandá-lo profetizar, Deus já diz imediatamente o que ele deveria pregar. “Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR” (Ez 37.4). Isto é, a mensagem é fornecida por Deus (Ez 37.5-7). Portanto, não há como duvidar de que profetizar é anunciar a mensagem divina. Sendo assim, profetizar sobre a vida das pessoas é antibíblico. Falar o que se pensa também não é profetizar. Até porque, o simples fato de dizermos que alguém está doente ou curado, ou que vamos ou não vamos conseguir algo, não significa que isso vá ou não acontecer. Isso é invenção do Diabo para te deixar com medo e te afastar da verdade bíblica.
3º Nenhum ser humano tem poder para abençoar o outro. Nem pastor, nem padre, nem sacerdote. Só Deus tem esse poder. Isto fica claro quando o Senhor diz a Moisés como Arão abençoaria o povo. Ele diz: “Fala a Arão, e a seus filhos dizendo: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo-lhes: O SENHOR te abençoe e te guarde” (Nm 6.23,24). Veja bem, Deus diz que eles iriam “abençoar” o povo dizendo “o Senhor te abençoe”. Quem é que abençoa então, Deus ou o homem? É claro que é Deus. Eu não posso te abençoar, no sentido de transferir bênçãos espirituais.
4º Em Tiago 3.10, texto preferido dos defensores do “poder” das palavras, em momento algum o apóstolo diz que as bênçãos e maldições proferidas por alguém afetam outra pessoa no âmbito espiritual. Na verdade, quando lemos o versículo 9, percebemos que o que está em pauta é a prática de maldizer ou bendizer os irmãos, ou seja, falar mal ou falar bem uns dos outros. É contra os maldizentes que Tiago direciona sua crítica. Ele não está criando uma nova doutrina. Apenas afirma que não convém aos crentes que louvem a Deus com os lábios, e, em seguida, com a mesma boca falem mal dos irmãos.
Pense bem nessas palavras e abandone essa doutrina demoníaca, pois ela só vai te amedrontar e te afastar cada vez mais da Palavra que realmente tem poder, a Bíblia. Vamos orar e confiar no Senhor, pois Ele é o único que pode nos abençoar. Tire o foco do homem e da Palavra humana. Nem um nem outro pode te dar o que você realmente precisa. Só Jesus pode.

Pr. Cremilson Meirelles