O aborto espontâneo é uma experiência dolorosa que muitas mulheres enfrentam em silêncio. Infelizmente, nem todas recebem orientações bíblicas que as ajudem a seguir em frente nessa seara tão espinhosa. Muitas vezes, isso ocorre porque o assunto sequer é mencionado nas igrejas. Afinal, por ser um tema delicado, profundo e difícil de abordar, muitos têm receio de abordá-lo.
Isso, porém, não muda o fato de que a dor é real e é vivida por mães reais, dentre as quais muitas são servas de Deus. Reconhecendo essa realidade, penso que é necessário romper o silêncio e falar a respeito do tema com um olhar de graça e compaixão, oferecendo respostas bíblicas aos questionamentos dessas mulheres. Afinal, a Bíblia possui recursos suficientes para lidar com essa questão.
Este texto, portanto, é um convite para refletir sobre o assunto e enxergá-lo de maneira diferente. Para tanto, apontaremos princípios bíblicos que esclarecem dúvidas e revelam que Deus se importa com essas mulheres.
Este texto, portanto, é um convite para refletir sobre o assunto e enxergá-lo de maneira diferente. Para tanto, apontaremos princípios bíblicos que esclarecem dúvidas e revelam que Deus se importa com essas mulheres.
1. A maternidade começa no ventre
A Bíblia deixa claro que a vida humana não começa no parto, mas no ventre. Deus conhece cada pessoa antes mesmo de nascer. Em Jeremias 1.5, Ele diz: “Antes que te formasse no ventre te conheci...”. Isso significa que, para Deus, Jeremias já era alguém com identidade, propósito e valor, antes de respirar pela primeira vez.
Essa verdade é afirmada também no versículo 16 do Salmo 139: “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.”.
Esses textos demonstram que a vida se inicia na concepção. Isso fica evidente no Salmo 139, visto que o termo hebraico gōlem, traduzido pela expressão “corpo ainda informe”, significa “embrião, feto”. Sob essa perspectiva, pode-se dizer que, aos olhos do Criador, o embrião humano carrega consigo o potencial de uma vida inteira. Não se trata apenas de um amontoado de células, mas de um ser cuja história Ele traçou; uma história que envolve relacionamento, desenvolvimento e propósito.
Aparentemente, foi esse raciocínio que guiou a reação de Isabel à visita de Maria. Pois Isabel, “cheia do Espírito Santo” (Lc 1.41), após declarar que Maria era bendita entre as mulheres e que o fruto do seu ventre era bendito, indagou: “E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?” (Lc 1.43). Ela chama Maria de mãe antes mesmo de Jesus nascer! Não disse que Maria seria mãe, mas a tratou como alguém que já era mãe. Afinal, o bebê no seu ventre possuía uma história e identidade antecipadamente definidas por Deus. Logo, sua maternidade não dependia do parto, mas da existência do filho.
O mesmo valia para Isabel. Antes de João nascer, o anjo disse que ela “concebeu um filho” (Lc 1.36 - grego hyiós), e não apenas que engravidou. Ou seja, antes do parto, João já era filho de Isabel.
Creio que essas narrativas associadas aos textos veterotestamentários citados anteriormente, esclarecem que uma mulher grávida já é mãe. Por isso, é razoável concluir que, à luz das Escrituras, toda mulher que já teve a experiência da gravidez, ainda que por pouco tempo, foi verdadeiramente mãe. Sua maternidade é tão genuína quanto qualquer outra.
Nesse sentido, podemos afirmar que existem mulheres que, na atualidade não têm filhos vivos, mas que já foram mães muitas vezes. Pois, apesar de nunca terem segurado seus bebês nos braços, os abrigaram em seus ventres e se relacionaram com eles como todas as outras mães.
A Bíblia deixa claro que a vida humana não começa no parto, mas no ventre. Deus conhece cada pessoa antes mesmo de nascer. Em Jeremias 1.5, Ele diz: “Antes que te formasse no ventre te conheci...”. Isso significa que, para Deus, Jeremias já era alguém com identidade, propósito e valor, antes de respirar pela primeira vez.
Essa verdade é afirmada também no versículo 16 do Salmo 139: “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia.”.
Esses textos demonstram que a vida se inicia na concepção. Isso fica evidente no Salmo 139, visto que o termo hebraico gōlem, traduzido pela expressão “corpo ainda informe”, significa “embrião, feto”. Sob essa perspectiva, pode-se dizer que, aos olhos do Criador, o embrião humano carrega consigo o potencial de uma vida inteira. Não se trata apenas de um amontoado de células, mas de um ser cuja história Ele traçou; uma história que envolve relacionamento, desenvolvimento e propósito.
Aparentemente, foi esse raciocínio que guiou a reação de Isabel à visita de Maria. Pois Isabel, “cheia do Espírito Santo” (Lc 1.41), após declarar que Maria era bendita entre as mulheres e que o fruto do seu ventre era bendito, indagou: “E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?” (Lc 1.43). Ela chama Maria de mãe antes mesmo de Jesus nascer! Não disse que Maria seria mãe, mas a tratou como alguém que já era mãe. Afinal, o bebê no seu ventre possuía uma história e identidade antecipadamente definidas por Deus. Logo, sua maternidade não dependia do parto, mas da existência do filho.
O mesmo valia para Isabel. Antes de João nascer, o anjo disse que ela “concebeu um filho” (Lc 1.36 - grego hyiós), e não apenas que engravidou. Ou seja, antes do parto, João já era filho de Isabel.
Creio que essas narrativas associadas aos textos veterotestamentários citados anteriormente, esclarecem que uma mulher grávida já é mãe. Por isso, é razoável concluir que, à luz das Escrituras, toda mulher que já teve a experiência da gravidez, ainda que por pouco tempo, foi verdadeiramente mãe. Sua maternidade é tão genuína quanto qualquer outra.
Nesse sentido, podemos afirmar que existem mulheres que, na atualidade não têm filhos vivos, mas que já foram mães muitas vezes. Pois, apesar de nunca terem segurado seus bebês nos braços, os abrigaram em seus ventres e se relacionaram com eles como todas as outras mães.
2. A perda gestacional produz luto real
Uma das maiores dores de quem passa por um aborto espontâneo é sentir que seu luto não é reconhecido. Muitas mulheres se calam porque acham que não têm o direito de sofrer. Até porque, não houve fotos, berço, apresentação na igreja; isto é, não há evidências materiais do que foi perdido. O pior de tudo é que a sociedade parece chancelar esse pensamento, reduzindo a dor da perda à mera frustração diante de uma tentativa fracassada.
Essa percepção, entretanto, não muda o fato de que uma vida existiu por um tempo e se foi. Não importa se o período foi curto; tratava-se de um ente querido, desejado, idealizado, com o qual a mãe se relacionou. Houve vida, amor e vínculo. Não se pode negligenciar isso. Alguém precioso se foi! Portanto, o luto que decorre dessa experiência é totalmente legítimo.
As igrejas não podem simplesmente viver como se essa dor não existisse. Afinal, a Bíblia ensina que o luto deve ser vivido e reconhecido. Em João 11, por exemplo, ainda que tivesse decidido ressuscitar Lázaro, Jesus derramou lágrimas diante do túmulo do seu amigo. Semelhantemente, quando Estêvão foi assassinado, mesmo em meio à perseguição, os cristãos “fizeram sobre ele grande pranto.” (At 8.2). Eles choraram, lamentaram e reconheceram a dor, porque era o “tempo de prantear” (Ec 3.4).
Contudo, embora Lázaro e Estêvão tenham vivido mais tempo que os bebês cujo nascimento não se concretizou, há algo semelhante entre essas perdas e o aborto espontâneo: a aflição do luto os alcançou porque havia relacionamento com aqueles que partiram; Jesus com Lázaro, a igreja com Estêvão e as mães com seus bebês.
Considerando essa realidade, cabe à igreja pôr em prática o preceito bíblico de “chorar com os que choram” (Rm 12.15). Antes disso, no entanto, é imperioso que os servos de Deus aprendam a enxergar essa dor, acolher os enlutados e oferecer suporte para que eles possam seguir em frente.
Essa mudança de postura precisa começar pela liderança. Os pastores devem admitir publicamente que a infertilidade é uma condição que frequentemente traz consigo uma carga emocional profunda, marcada por luto, pressão social e isolamento. Somente a partir desse reconhecimento será possível promover uma reorientação da perspectiva das igrejas acerca do tema.
3. O aborto espontâneo não é punição de Deus
Muitas mulheres carregam culpas que não deveriam carregar. Pensam que perderam seus bebês por causa de erros do passado, falhas espirituais ou pecados específicos. Isso não é necessariamente verdade. Apesar de existirem práticas pecaminosas que podem causar infertilidade e aumentar o risco de aborto espontâneo - como o uso de drogas, por exemplo - isso não acontece como efeito de uma justiça retributiva. Na verdade, são consequências naturais do uso de substâncias prejudiciais à saúde.
Essa ideia de uma aplicação retributiva da justiça divina, entretanto, parece ser uma tentativa de identificar tanto a causa como a possível solução do problema. Pode ser que sua base seja a seguinte especulação: se a infertilidade foi provocada por algo que eu fiz e que desagradou a Deus, talvez, se eu fizer algo que O agrade, Ele se compadeça e me conceda um filho.
Todavia, esse raciocínio pode ser apenas uma expressão de autopiedade ou autopunição. De qualquer maneira, é preciso esclarecer que, embora exista uma conexão entre pecado e infertilidade - uma vez que esta é produto da queda - pecados individuais não estão necessariamente ligados nem à infertilidade e nem à perda gestacional. Até porque, se o aborto espontâneo fosse punição, como explicar os inúmeros casos em que pessoas irresponsáveis, ou até violentas, têm filhos sem dificuldade alguma?
O fato é que vivemos em um mundo quebrado, manchado pelo pecado original, e isso afeta nossos corpos, nossa saúde e nossa história. É por isso que os homens morrem (cf. Rm 5.12), “porque o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Por essa razão, Jesus disse que no mundo teríamos aflições (cf. Jo 16.33), pois o pecado é a causa do sofrimento. Mas Ele morreu na cruz justamente para lidar com o pecado. Seu sacrifício é suficiente para perdoar, restaurar e consolar.
Portanto, não importa se a sua história foi marcada por delitos e transgressões da lei de Deus. Não é isso que vai definir a sua vida. Se você se dobrou aos pés de Cristo, seus pecados foram perdoados! A sua dívida foi paga! “Agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).
Ora, se não há mais condenação, como sua perda gestacional poderia ser um castigo da parte de Deus? “O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele” (Is 53.5)! Se você depositou a fé exclusivamente em Jesus Cristo, Deus não vai te punir pelos pecados do passado, do presente e do futuro. Ele já te absolveu por meio de Seu Filho.
Uma das maiores dores de quem passa por um aborto espontâneo é sentir que seu luto não é reconhecido. Muitas mulheres se calam porque acham que não têm o direito de sofrer. Até porque, não houve fotos, berço, apresentação na igreja; isto é, não há evidências materiais do que foi perdido. O pior de tudo é que a sociedade parece chancelar esse pensamento, reduzindo a dor da perda à mera frustração diante de uma tentativa fracassada.
Essa percepção, entretanto, não muda o fato de que uma vida existiu por um tempo e se foi. Não importa se o período foi curto; tratava-se de um ente querido, desejado, idealizado, com o qual a mãe se relacionou. Houve vida, amor e vínculo. Não se pode negligenciar isso. Alguém precioso se foi! Portanto, o luto que decorre dessa experiência é totalmente legítimo.
As igrejas não podem simplesmente viver como se essa dor não existisse. Afinal, a Bíblia ensina que o luto deve ser vivido e reconhecido. Em João 11, por exemplo, ainda que tivesse decidido ressuscitar Lázaro, Jesus derramou lágrimas diante do túmulo do seu amigo. Semelhantemente, quando Estêvão foi assassinado, mesmo em meio à perseguição, os cristãos “fizeram sobre ele grande pranto.” (At 8.2). Eles choraram, lamentaram e reconheceram a dor, porque era o “tempo de prantear” (Ec 3.4).
Contudo, embora Lázaro e Estêvão tenham vivido mais tempo que os bebês cujo nascimento não se concretizou, há algo semelhante entre essas perdas e o aborto espontâneo: a aflição do luto os alcançou porque havia relacionamento com aqueles que partiram; Jesus com Lázaro, a igreja com Estêvão e as mães com seus bebês.
Considerando essa realidade, cabe à igreja pôr em prática o preceito bíblico de “chorar com os que choram” (Rm 12.15). Antes disso, no entanto, é imperioso que os servos de Deus aprendam a enxergar essa dor, acolher os enlutados e oferecer suporte para que eles possam seguir em frente.
Essa mudança de postura precisa começar pela liderança. Os pastores devem admitir publicamente que a infertilidade é uma condição que frequentemente traz consigo uma carga emocional profunda, marcada por luto, pressão social e isolamento. Somente a partir desse reconhecimento será possível promover uma reorientação da perspectiva das igrejas acerca do tema.
3. O aborto espontâneo não é punição de Deus
Muitas mulheres carregam culpas que não deveriam carregar. Pensam que perderam seus bebês por causa de erros do passado, falhas espirituais ou pecados específicos. Isso não é necessariamente verdade. Apesar de existirem práticas pecaminosas que podem causar infertilidade e aumentar o risco de aborto espontâneo - como o uso de drogas, por exemplo - isso não acontece como efeito de uma justiça retributiva. Na verdade, são consequências naturais do uso de substâncias prejudiciais à saúde.
Essa ideia de uma aplicação retributiva da justiça divina, entretanto, parece ser uma tentativa de identificar tanto a causa como a possível solução do problema. Pode ser que sua base seja a seguinte especulação: se a infertilidade foi provocada por algo que eu fiz e que desagradou a Deus, talvez, se eu fizer algo que O agrade, Ele se compadeça e me conceda um filho.
Todavia, esse raciocínio pode ser apenas uma expressão de autopiedade ou autopunição. De qualquer maneira, é preciso esclarecer que, embora exista uma conexão entre pecado e infertilidade - uma vez que esta é produto da queda - pecados individuais não estão necessariamente ligados nem à infertilidade e nem à perda gestacional. Até porque, se o aborto espontâneo fosse punição, como explicar os inúmeros casos em que pessoas irresponsáveis, ou até violentas, têm filhos sem dificuldade alguma?
O fato é que vivemos em um mundo quebrado, manchado pelo pecado original, e isso afeta nossos corpos, nossa saúde e nossa história. É por isso que os homens morrem (cf. Rm 5.12), “porque o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Por essa razão, Jesus disse que no mundo teríamos aflições (cf. Jo 16.33), pois o pecado é a causa do sofrimento. Mas Ele morreu na cruz justamente para lidar com o pecado. Seu sacrifício é suficiente para perdoar, restaurar e consolar.
Portanto, não importa se a sua história foi marcada por delitos e transgressões da lei de Deus. Não é isso que vai definir a sua vida. Se você se dobrou aos pés de Cristo, seus pecados foram perdoados! A sua dívida foi paga! “Agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).
Ora, se não há mais condenação, como sua perda gestacional poderia ser um castigo da parte de Deus? “O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele” (Is 53.5)! Se você depositou a fé exclusivamente em Jesus Cristo, Deus não vai te punir pelos pecados do passado, do presente e do futuro. Ele já te absolveu por meio de Seu Filho.
4. Para onde vão os bebês que morrem no ventre?
Essa é uma pergunta profunda, que nasce do amor e da saudade. A Bíblia não traz um capítulo específico sobre isso, mas oferece indícios fortes de que esses bebês são acolhidos pela graça de Deus.
Em Jeremias 19, Deus chama os bebês sacrificados a Baal de “inocentes”. Ele não faz isso porque não tinham uma natureza pecaminosa, mas porque decidiu alcançá-los com Sua graça. Essa parece ser a motivação de Jesus ao dizer: “deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus.” (Mc 10.14). Ele não menciona mérito algum por parte das crianças, mas se mostra pronto a recebê-las.
O Salmo 32 parece corroborar essa ideia quando afirma: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.”. É isso que Ele faz com as crianças: cobre seus pecados. Com base nisso, podemos olhar o aborto espontâneo com esperança. O bebê que morreu no ventre não desapareceu. Ele está nas mãos daquele que o ama mais profundamente do que qualquer mãe ou pai poderia amar.
Um dia, quando você também for acolhida pelo Pai celestial na eternidade, então finalmente verá aquele bebê como parte da família de Deus. Mas naquele momento vocês serão mais do que mãe e filho: serão filhos de Deus glorificados, irmãos em Cristo Jesus.
Isso confirma aquilo que a Bíblia afirma com tanta clareza: “...as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8.18); “as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam.” (1Co 2.9). Ou seja, a vida não se resume a este mundo tenebroso. Há algo melhor! Os problemas que enfrentamos aqui, a aparente injustiça e impunidade; nada disso é definitivo!
Essa é uma pergunta profunda, que nasce do amor e da saudade. A Bíblia não traz um capítulo específico sobre isso, mas oferece indícios fortes de que esses bebês são acolhidos pela graça de Deus.
Em Jeremias 19, Deus chama os bebês sacrificados a Baal de “inocentes”. Ele não faz isso porque não tinham uma natureza pecaminosa, mas porque decidiu alcançá-los com Sua graça. Essa parece ser a motivação de Jesus ao dizer: “deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus.” (Mc 10.14). Ele não menciona mérito algum por parte das crianças, mas se mostra pronto a recebê-las.
O Salmo 32 parece corroborar essa ideia quando afirma: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.”. É isso que Ele faz com as crianças: cobre seus pecados. Com base nisso, podemos olhar o aborto espontâneo com esperança. O bebê que morreu no ventre não desapareceu. Ele está nas mãos daquele que o ama mais profundamente do que qualquer mãe ou pai poderia amar.
Um dia, quando você também for acolhida pelo Pai celestial na eternidade, então finalmente verá aquele bebê como parte da família de Deus. Mas naquele momento vocês serão mais do que mãe e filho: serão filhos de Deus glorificados, irmãos em Cristo Jesus.
Isso confirma aquilo que a Bíblia afirma com tanta clareza: “...as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Rm 8.18); “as coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam.” (1Co 2.9). Ou seja, a vida não se resume a este mundo tenebroso. Há algo melhor! Os problemas que enfrentamos aqui, a aparente injustiça e impunidade; nada disso é definitivo!
5. Deus se importa com o seu sofrimento
Além de acolher os pequenos, Deus acolhe quem sofre. Ele não é indiferente à sua dor. O Salmo 113 diz que o Senhor “se inclina, para ver o que está nos céus e na terra!” (Sl 113.6). E, além de observar, o texto afirma que Ele “levanta o pobre do pó, e do monturo levanta o necessitado” (Sl 113.7). Isto é, apesar de habitar nas alturas (cf. Sl 113.5), o Deus soberano se inclina para olhar a sua vida. Ele vê suas lágrimas e conhece o seu coração.
Esse olhar compassivo é evidente na narrativa da ressurreição de Lázaro. Porquanto, por mais que Jesus soubesse que ressuscitaria seu amigo, Ele chorou (cf. Jo 11.35). É preciso salientar, entretanto, que o ambiente em que Suas lágrimas foram derramadas estava marcado pelo luto. Isso significa que havia outras pessoas chorando. Ou seja, Jesus não chorou sozinho; Ele chorou com os que choravam (cf. Rm 12.15).
Isso revela algo do coração de Deus. Ele sabe o que você está passando e se importa. E, mesmo sabendo que um dia você não vai sofrer mais - pois Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima - Ele chora com você. Ele caminha ao seu lado em meio à dor mais profunda. Afinal, Ele mesmo declarou: “eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20).
Além de acolher os pequenos, Deus acolhe quem sofre. Ele não é indiferente à sua dor. O Salmo 113 diz que o Senhor “se inclina, para ver o que está nos céus e na terra!” (Sl 113.6). E, além de observar, o texto afirma que Ele “levanta o pobre do pó, e do monturo levanta o necessitado” (Sl 113.7). Isto é, apesar de habitar nas alturas (cf. Sl 113.5), o Deus soberano se inclina para olhar a sua vida. Ele vê suas lágrimas e conhece o seu coração.
Esse olhar compassivo é evidente na narrativa da ressurreição de Lázaro. Porquanto, por mais que Jesus soubesse que ressuscitaria seu amigo, Ele chorou (cf. Jo 11.35). É preciso salientar, entretanto, que o ambiente em que Suas lágrimas foram derramadas estava marcado pelo luto. Isso significa que havia outras pessoas chorando. Ou seja, Jesus não chorou sozinho; Ele chorou com os que choravam (cf. Rm 12.15).
Isso revela algo do coração de Deus. Ele sabe o que você está passando e se importa. E, mesmo sabendo que um dia você não vai sofrer mais - pois Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima - Ele chora com você. Ele caminha ao seu lado em meio à dor mais profunda. Afinal, Ele mesmo declarou: “eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20).
6. A igreja é chamada a consolar
Seguindo sua vocação de imitar o seu Senhor (cf. Ef 5.1), a igreja deve ser instrumento de consolação. Até porque Deus nos consola com esse fim. Isso é afirmado em 2 Coríntios 1.4, onde a Bíblia diz que Deus “nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.”
A igreja de Cristo precisa assumir esse papel e se aproximar dos casais que vivenciaram perdas gestacionais, reconhecendo sua dor e oferecendo consolação. É claro que não é fácil se aproximar de quem passou por esse tipo de experiência. Muitas vezes, a igreja sequer toma conhecimento. Mas é importante considerar que essa dificuldade de aproximação talvez seja resultado da maneira como essas perdas têm sido encaradas pelas comunidades cristãs locais.
Em muitas congregações, por exemplo, esse tema parece pertencer a um grupo de assuntos que, por serem delicados demais, não devem ser abordados. A consequência disso é o silêncio eclesiástico, tanto por parte da liderança quanto dos membros. Essa atmosfera de proscrição, coíbe qualquer manifestação de quem sofre, gerando ainda mais sofrimento.
Por conseguinte, creio que precisamos romper essa barreira e falar sobre isso do púlpito, apresentando o que a Bíblia diz sobre o assunto e, sobretudo, mostrando que Deus se importa com essas mulheres. Acredito que isso favorecerá a busca por ajuda.
Seguindo sua vocação de imitar o seu Senhor (cf. Ef 5.1), a igreja deve ser instrumento de consolação. Até porque Deus nos consola com esse fim. Isso é afirmado em 2 Coríntios 1.4, onde a Bíblia diz que Deus “nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.”
A igreja de Cristo precisa assumir esse papel e se aproximar dos casais que vivenciaram perdas gestacionais, reconhecendo sua dor e oferecendo consolação. É claro que não é fácil se aproximar de quem passou por esse tipo de experiência. Muitas vezes, a igreja sequer toma conhecimento. Mas é importante considerar que essa dificuldade de aproximação talvez seja resultado da maneira como essas perdas têm sido encaradas pelas comunidades cristãs locais.
Em muitas congregações, por exemplo, esse tema parece pertencer a um grupo de assuntos que, por serem delicados demais, não devem ser abordados. A consequência disso é o silêncio eclesiástico, tanto por parte da liderança quanto dos membros. Essa atmosfera de proscrição, coíbe qualquer manifestação de quem sofre, gerando ainda mais sofrimento.
Por conseguinte, creio que precisamos romper essa barreira e falar sobre isso do púlpito, apresentando o que a Bíblia diz sobre o assunto e, sobretudo, mostrando que Deus se importa com essas mulheres. Acredito que isso favorecerá a busca por ajuda.
Conclusão
Conforme foi demonstrado, a Bíblia esclarece que a vida começa na concepção e, portanto, podemos concluir que a maternidade é real desde o ventre. Assim, o luto pelo aborto espontâneo é legítimo e deve ser reconhecido pela igreja.
Ademais, vimos também que a perda gestacional não é um castigo divino, mas uma das consequências da queda. Isso, porém, não significa que Deus não tenha controle. É claro que Ele tem! Ele é o Senhor da fertilidade e da infertilidade. Logo, se isso aconteceu com você, saiba que há um propósito que culminará na glorificação do Todo-Poderoso.
Contudo, vale lembrar que a permissão divina ou a ação direta do Senhor nesse sentido não indica falta de compaixão. Pelo contrário, além de acolher pela graça os bebês que morrem no ventre, Deus acolhe também as mães que os perderam e pode fazer “com que a mulher estéril habite em casa, e seja alegre mãe de filhos.” (Sl 113.9). Isso pode ocorrer através de uma nova gestação concedida por Ele ou pela adoção. Porém, o mais importante é procurar alinhar-se com a vontade d’Ele.
Em suma, se você está sofrendo por causa de um aborto espontâneo, saiba: Deus te vê; Ele conhece sua dor; Ele se importa com cada lágrima e prometeu estar contigo todos os dias. Que você encontre descanso nos braços d’Aquele que acolhe os pequenos e também acolhe as mães que choram por eles.
Conforme foi demonstrado, a Bíblia esclarece que a vida começa na concepção e, portanto, podemos concluir que a maternidade é real desde o ventre. Assim, o luto pelo aborto espontâneo é legítimo e deve ser reconhecido pela igreja.
Ademais, vimos também que a perda gestacional não é um castigo divino, mas uma das consequências da queda. Isso, porém, não significa que Deus não tenha controle. É claro que Ele tem! Ele é o Senhor da fertilidade e da infertilidade. Logo, se isso aconteceu com você, saiba que há um propósito que culminará na glorificação do Todo-Poderoso.
Contudo, vale lembrar que a permissão divina ou a ação direta do Senhor nesse sentido não indica falta de compaixão. Pelo contrário, além de acolher pela graça os bebês que morrem no ventre, Deus acolhe também as mães que os perderam e pode fazer “com que a mulher estéril habite em casa, e seja alegre mãe de filhos.” (Sl 113.9). Isso pode ocorrer através de uma nova gestação concedida por Ele ou pela adoção. Porém, o mais importante é procurar alinhar-se com a vontade d’Ele.
Em suma, se você está sofrendo por causa de um aborto espontâneo, saiba: Deus te vê; Ele conhece sua dor; Ele se importa com cada lágrima e prometeu estar contigo todos os dias. Que você encontre descanso nos braços d’Aquele que acolhe os pequenos e também acolhe as mães que choram por eles.
Pr. Cremilson Meirelles
O que a Bíblia Diz Sobre o Aborto Espontâneo?
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