sábado, 11 de março de 2017

PALMAS PRA JESUS? – PARTE III



Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
Muitos, em defesa dos aplausos durante os cultos, argumentam que devemos adorar a Deus no culto sem impor limites às expressões. Isto é, vale tudo: pular, rodar, rastejar, rebolar, dar saltos mortais, aplaudir, gritar, assobiar, etc. - O mais importante é a sinceridade do adorador, dizem os defensores das “palmas pra Jesus”. Mas será que é assim mesmo? Será que, se houver sinceridade, podemos fazer qualquer coisa durante o culto, e, dessa maneira, agradarmos a Deus? Se pensarmos dessa forma, teremos que, inevitavelmente, aprovar o culto em que as pessoas dizem estar adorando a Deus, mas, com muita sinceridade, se prostram diante de imagens. Você percebe como essa argumentação é perigosa? Se seguirmos esse raciocínio teremos de aprovar até coisas que naturalmente rejeitamos. Logo, o princípio regulador do culto não pode ser a “sinceridade”, mas sim a vontade de Deus expressa na Sua Palavra, ou seja, não podemos adorar a Deus como queremos, devemos adorá-lo como Ele deseja ser adorado.

Em Apocalipse 19.10, o apóstolo João, diante da revelação das “bodas do Cordeiro”, se lança aos pés do anjo que lhe mostrara tudo aquilo. Naquela ocasião, João foi imediatamente repreendido pelo anjo, que disse: “olha, não faças tal; sou teu conservo e de teus irmãos que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus”. Veja: o que João fez foi sincero e expressou o reconhecimento de sua condição de servo (do contrário, ele não se prostraria), porém foi repreendido e orientado a dirigir sua adoração exclusivamente a Deus. A partir daí, fica bem claro que não podemos fazer “o que der na telha” durante o culto, argumentando que basta fazer com sinceridade que Deus se agrada. O que deve nortear a adoração da igreja é a Bíblia. Não podemos “cristianizar” práticas extra bíblicas e inseri-las no culto ao Senhor.

Os aplausos pertencem a outro ambiente. Definitivamente, eles não têm lugar no culto. Afinal, embora os “aplaudidores” digam que as palmas são dirigidas a Deus, na verdade, não são. No fundo, elas são dirigidas à apresentação, e, consequentemente, às pessoas que se apresentaram. Tanto, que, se a pregação for “empolgante”, as palmas são mais intensas no momento do clímax, mas se for um sermão mais simples, talvez, nem haja aplausos. O mesmo ocorre com a música. Se esta agradar ao auditório (se for aquela música que a maioria gosta, por exemplo), e se o “ministro” motivar bastante o povo, então os aplausos serão abundantes. Ora, se fosse realmente para Deus, não deveria haver variação na intensidade.

Outro argumento utilizado por alguns, é que, diante da apresentação de crianças, a igreja deve aplaudir a fim de incentivá-las. Esse raciocínio, conquanto tenha uma nobre intenção, cai no mesmo erro mencionado no parágrafo anterior, pois, evidentemente, as palmas não são dirigidas a Deus, mas sim às crianças. Esse comportamento, inclusive, reflete a real  natureza e propósito dos aplausos: aprovação, aceitação. Quando aplaudimos, é como se disséssemos: “muito bem”, “gostei de ver”, “me agradou”. No entanto, Deus não precisa de nossa aprovação, nós é que carecemos de Sua graça e misericórdia.

Sinceramente, vejo os aplausos como mais um dentre os muitos modismos do mundo evangélico. A maioria faz simplesmente porque “a maioria faz”. O grande problema é que esses “modismos” se tornam “regra de fé e prática”, e, portanto, inquestionáveis. Isso leva o indivíduo a relativizar cada vez mais as Escrituras. Até porque, se não for assim, não há como justificar tais práticas. Por isso, entre os modismos e a Bíblia, devemos sempre optar pela Bíblia.

Pr. Cremilson Meirelles




QUEM É A ESTRELA DA MANHÃ?



Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
 
            Embora o próprio Jesus se apresente como “a resplandecente Estrela da manhã” (Ap 22.16), há quem argumente, com base em Isaías 14.12 que a “estrela da manhã” é (ou foi) o próprio diabo. Isto porque, o texto em questão parece referir-se a Satanás, pois emprega uma linguagem que lembra a queda de nosso adversário: “como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!” Seguindo esse raciocínio, os defensores dessa tese entendem que Lucas 10.18 e Apocalipse 12.8,9 retratam a mesma cena de Isaías 14.12, que, de acordo com eles, refere-se à queda de Satanás.
            Todavia, o profeta Isaías, por meio de uma linguagem figurada, destaca o orgulho humano, e não o angélico. Basta verificar o contexto para concluir que quem teve a soberba derribada no inferno (Isaías 14.11) foi o rei da Babilônia, a quem a condenação do texto é dirigida: “então, proferirás este dito contra o rei da Babilônia [...]” (Isaías 14.4). Não há nada no texto que indique que houve uma mudança de personagem. O rei não é nomeado porque não merece ser lembrado. Contudo, trata-se de um homem, e não de um anjo caído.
            Em Daniel 4.22, uma linguagem semelhante é utilizada em referência ao rei Nabucodonosor: “[...] és tu, ó rei, que cresceste e te fizeste forte; a tua grandeza cresceu e chegou até ao céu [...]”. É óbvio, entretanto, que o rei não “chegou até ao céu”. A linguagem é claramente figurada. Porquanto, embora Nabucodonosor fosse como a árvore mais elevada, o Senhor o derrubaria. De igual modo, Isaías ressalta que, conquanto o rei da babilônia gozasse de proeminência, tal como a estrela da manhã (possivelmente, uma referência ao planeta vênus), que enfraquece na luz do amanhecer, sua glória seria reduzida a nada.
            Algo curioso acerca desse texto (Isaías 14.12), é que, no século IV, Jerônimo, um teólogo cristão, ao vertê-lo para o latim, empregou o termo lúcifer, que significa, literalmente, “aquele que brilha”, para traduzir o hebraico hêlēl. Por conta disso, aqueles que compreendiam o trecho como uma alusão ao príncipe dos demônios, passaram a usar a palavra latina lúcifer para referir-se ao “acusador de nossos irmãos”. O grande problema desse uso é que Jerônimo também utilizou lúcifer em 2Pedro 1.19 para traduzir o grego phósphoros (“portador da luz”, “estrela da manhã”) o qual, no contexto, aponta para Jesus, e não para o diabo: “E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração”.
            Visto isso, concluímos que lúcifer não é, nem nunca foi, o nome de Satanás. É, na verdade, um substantivo latino, não um nome próprio. Caso fosse, teríamos que traduzir todas as passagens em que ele aparece como um nome. Isso, sem dúvida, causaria muitos problemas interpretativos, uma vez que o termo aparece, na vulgata latina (tradução da Bíblia para o latim, feita por Jerônimo, no século IV) em Jó 11.17; 38.32, Salmos 110.3, e 2Pe 1.19. Além disso, à luz de Apocalipse 22.16 e 2Pedro 1.19, a “Estrela da manhã” é Jesus. Só Ele está acima de tudo e de todos! Só Ele resplandece para todo o sempre.
Pr. Cremilson Meirelles