quarta-feira, 15 de junho de 2016

A BÍBLIA E O PASTORADO FEMININO – PARTE VI



            Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa



             Outra justificativa muito usada para o pastorado feminino é o relato de que havia uma juíza em Israel, chamada Débora. Contudo, isso em nada contribui para a argumentação em prol do ministério pastoral feminino. Porquanto, o juiz era uma liderança civil, não religiosa. Esta, desde a revelação no Sinai (Êx 28.1), continuava sendo masculina. Os juízes do antigo Israel estavam muito distantes do moderno conceito de juiz. Ouvir reclamações e tomar decisões legais era um papel exercido, em grande parte, pelos anciãos ou chefes de família. A função dos juízes estava mais ligada à liderança militar. Isto é, tratava-se de uma pessoa escolhida por Deus para expulsar o povo opressor e devolver a paz à terra. A partir daí, podemos concluir que juíza e pastora são atividades diametralmente opostas. Afinal, nenhum pastor exerce liderança militar. Eu hein!
            Quanto à Débora, além de ser juíza, ela era também profetisa. Por conta disso, ela atendia as pessoas ao ar livre, aconselhando-as acerca de questões diversas. Ainda que alguns digam que os demais juízes faziam o mesmo, porém nada é dito a esse respeito. No entanto, mesmo que essa fosse a função de um juiz, não justificaria o ministério pastoral feminino. Até porque, ainda seria uma liderança civil, não religiosa. Isto é, como falamos, a função do juiz estava muito distante da atividade pastoral descrita no Novo Testamento (Atos 20.28).

            Outro exemplo usado para sustentar o pastorado feminino é o de Raquel, a qual, conforme Gênesis 29.9, era “pastora”. Entretanto, na única ocasião em que o termo “pastora” aparece nas Escrituras é para referir-se a alguém que cuidava de animais (ovelhas), e não pessoas. O pior de tudo é que alguns têm a coragem de usar esse texto para defender o ministério pastoral feminino!

            Além dos textos mencionados até aqui, os defensores dessa ideia antibíblica costumam também utilizar as saudações feitas por Paulo em Romanos 16 para sustenta-la. Dizem que ali o apóstolo aponta mulheres que exerciam liderança nas igrejas. Uma delas, de acordo com eles, é “Júnias”, mencionada no versículo 17. Todavia, não há nenhuma comprovação de que “Júnias” seja um nome feminino. Na verdade, se tratava de um nome utilizado tanto para homens quanto para mulheres. Isto é, seria bastante precipitado criar uma doutrina com base em um nome que ninguém sabe se referia a um homem ou uma mulher! Mesmo assim, os adeptos do pastorado feminino continuam usando esse texto, afirmando, inclusive, que Júnias, além de ser mulher, era também apóstola. Isto porque, o texto diz que “Andrônico e Júnias se distinguiram entre os apóstolos”. Contudo, esta declaração pode indicar que Andrônico e Júnias eram tidos em alta conta pelos apóstolos.
Ademais, ainda que os dois fossem apóstolos, é importante lembrar que a palavra “apóstolo”, no Novo Testamento, é usada para outras pessoas além dos Doze, sobretudo para mensageiros e enviados das igrejas, como acontece com Epafrodito (no texto grego) em Filipenses 2.25, e com alguns irmãos em 2Coríntios 8.23 (também no texto grego). Porém, nenhum desses exercia liderança ou “governo” sobre as igrejas. Eles eram apenas emissários daquelas comunidades de fé, ou seja, eram enviados pelas igrejas com um propósito específico. Mas, definitivamente, não eram “pastores”.
O mais impressionante nisso tudo é evidente contradição dos defensores do pastorado feminino, pois, a fim de justificar seu pensamento, descartam textos como 1Co 11, 14.34, 1Tm 2.11-15, mas buscam justificar suas ideias em outros textos que o mesmo Paulo, considerado “machista”, redigiu. É muita contradição! Paulo era machista, produto de uma cultura patriarcal, porém é ele, que, segundo os que advogam essa heresia, fornece os “melhores argumentos” para a ordenação de pastoras. Sinceramente, se seguirmos essa linha, teremos que admitir uma dessas duas coisas: ou a Bíblia se contradiz, ou Paulo era louco. Afinal de contas, como sustentam as “pastoras”, o mesmo indivíduo que diz que a mulher deve ficar em silêncio (1Tm 2.11), “defende” o pastorado feminino em Romanos 16. É... quando não há argumentos, até as saudações viram fundamento para doutrina.

Pr. Cremilson Meirelles
 


sábado, 11 de junho de 2016

PODEMOS HOMENAGEAR PESSOAS DURANTE O CULTO?

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa

Ao aproximar-se o “dia do Pastor”, normalmente surgem questionamentos a respeito das homenagens prestadas durante o culto. Isto porque, conforme o pensamento de alguns, fazê-lo seria promover adoração ao homem. Afinal, como dizem, não há nenhum texto bíblico que fundamente tal prática. Portanto, seguindo esse raciocínio, as homenagens deveriam ser feitas em outro momento, e não no culto. É claro que o único que pode normatizar o culto que prestamos a Deus é Ele mesmo. E isto Ele faz por meio de Sua Palavra. Por essa razão, toda nossa expressão cúltica deve provir dela. Seguindo esse raciocínio, cabe ao servo de Deus inteirar-se dos elementos que compõem o culto cristão, e não apenas reproduzir aquilo que sempre foi feito.
Acerca disso, é importante destacar que a Sagrada Escritura apresenta apenas oito elementos que caracterizam o culto cristão, a saber: oração (1Timóteo 2.8; 3.14,15), leitura da Bíblia (1Timóteo 4.13), cânticos (Colossenses 3.16), Ceia do Senhor (1Coríntios 11.17-34), batismo (Mateus 28.19), ofertório (1Coríntios 16.2), pregação da Palavra (2Timóteo 4.2) e ação de graças (Filipenses 4.6).
Todavia, por ocasião da aplicação desses elementos, geralmente estão presentes algumas circunstâncias que, embora não sejam essenciais ao culto, viabilizam sua implementação. Dentre elas, podemos elencar: o local do culto, a arrumação desse local (colocação de cadeiras/bancos), ligação da aparelhagem de som, iluminação, boletim informativo, regência dos hinos, horário de início e término, ordem de culto, grupos de louvor, corais, instrumentos musicais, etc. Contudo, o objetivo dessas providências é propiciar a realização adequada do culto cristão. Isto é, elas não estão registradas na Bíblia, mas favorecem a prática daquilo que está registrado. É claro, entretanto, que nenhuma dessas coisas pode se tornar um fim em si mesmo. Todas as circunstâncias do culto, assim como tudo o que fazemos, devem visar à glória de Deus (1Coríntios 10.31).
Onde se encaixariam, então, as homenagens prestadas por ocasião do dia das mães, dos pais, dia da mulher, dia das crianças e do dia do Pastor? Acredito que todas essas homenagens, se de fato constituírem ação de graças ao Senhor, devem ser enquadradas como circunstâncias do culto. Porquanto, através dessas celebrações, a igreja dá graças a Deus por um grupo ou pessoa. Mesmo assim, há quem entenda que seria errado glorificar ao Senhor por causa do procedimento ou da vida de alguém. Penso, no entanto, que estes deveriam ler mais as cartas de Paulo, pois, em Filipenses 1.3, o apóstolo, referindo-se aos crentes da igreja de Filipos, declara: “dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós”. De igual modo, escrevendo aos Efésios, ele afirma: “Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações” (Efésios 1.15,16).
Diante disso, seria correto afirmar que a homenagem é uma circunstância que dá ensejo à aplicação de diversos elementos do culto. Um deles, como já vimos, é a ação de graças, o outro são os cânticos, os quais são dirigidos a Deus, em gratidão pelo indivíduo ou pela classe (pai, mãe, mulheres, pastores, etc). Ademais, as homenagens propiciam a oportunidade de expor o ensino bíblico a respeito da classe ou grupo ao qual pertence o homenageado, dando orientações aos presentes acerca da conduta que agrada o Senhor, além de podermos orar por eles (Efésios 6.18). Viu? Ação de graças, cânticos, oração e pregação são elementos do culto ensejados através das homenagens.
Enfim, não é pecado prestar homenagens durante o culto. O que deve ser evitado é a exaltação do homem. Toda honra e toda glória devem ser dadas a Deus (Ap 19.10). Por isso, cânticos que exaltam o ser humano devem ser evitados. Até porque, entoá-los seria o mesmo que idolatria. Todo culto deve ser dirigido a Deus. “Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele darás culto” (Lucas 4.8).
Pr. Cremilson Meirelles

sexta-feira, 3 de junho de 2016

A BÍBLIA E O PASTORADO FEMININO – PARTE V

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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Desde o princípio, Deus colocou o homem na liderança. É justamente com base nisso que Paulo argumenta a fim de dissuadir as mulheres de buscar a liderança na igreja. Ele diz: “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva” (1Timóteo 2.13). Isto é, o apóstolo recorre à ordem da criação, para mostrar que a liderança masculina é a vontade de Deus. Afinal, foi ao homem que Deus, antes de criar a mulher, deu as tarefas e as responsabilidades (Gênesis 2.15-17). Além disso, ao homem coube a tarefa de nomear os animais (Gênesis 2.19). Ora, quem dá nome, só o faz porque tem autoridade. Um exemplo bem claro disso é a história de Daniel. Ele e seus amigos tiveram seus nomes modificados assim que chegaram à Babilônia (Daniel 1.6,7), justamente porque estavam debaixo da autoridade babilônica. À luz dessa informação, percebemos que o fato de Adão dar nome à Eva torna ainda mais evidente o papel do homem como líder (Gênesis 3.20). Ainda que isso tenha acontecido depois da queda, não significa que essa autoridade é resultado do pecado. Até porque, como falamos, a autoridade de nomear foi dada ao homem mesmo antes da queda.
De igual modo, em 1Coríntios 11, mais uma vez Paulo usa a criação para argumentar em prol da liderança masculina, dizendo: “O varão, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão. Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher, do varão” (1Coríntios 11.7,8). Com isso, ressalta novamente a ordem da criação, utilizando o modelo dado pelo próprio Deus, tal como Jesus fez em Mateus 19, ao combater o pensamento equivocado dos fariseus, dizendo: “não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mateus 19.4-6).
O interessante nisso tudo, é que, embora a criação fosse modelo para Jesus e para Paulo, para muitos cristãos ela não é mais. Porquanto, com o desejo de justificar práticas contrárias às Escrituras, alguns foram, pouco a pouco, enfraquecendo o discurso bíblico, afirmando que nem todo texto da Bíblia é Palavra de Deus. Com base nisso, começaram a ensinar que passagens como 1Timóteo 2.11-15, 1Coríntios 11.2-16 e 14.34, que confrontam o pensamento feminista, eram palavras de homem, e não de Deus. Assim, relativizando os textos, conseguiram implantar na mente do povo a ideia de que as igrejas precisavam de pastoras, as quais, em grande parte, eram esposas de pastores. Isto porque, desenvolveu-se o pensamento antibíblico de que uma mulher, por ser casada com um pastor, é automaticamente uma pastora. Que absurdo! Não há um texto bíblico sequer que justifique isso!
Ademais, os defensores do pastorado feminino chegam a dizer que, no tempo de Jesus e dos apóstolos, a sociedade era muito machista, e, por causa disso, não havia apóstola ou pastora. Porém, hoje em dia, como o mundo mudou, podemos ordenar mulheres ao ministério. O grande problema dessa argumentação é que ela vale também para a prática do homossexualismo. Porque, se as mulheres não podiam ser pastoras porque a sociedade era machista, é possível afirmar também que o homossexualismo era considerado pecado por causa do mesmo machismo predominante, assim como diversas outras coisas que antes eram consideradas erradas, mas que hoje são aceitas. Tá vendo como é perigosa a relativização das Escrituras?
Continua...
Pr. Cremilson Meirelles