quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

PODEMOS CHAMAR A ATENÇÃO DE DEUS?



Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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Muitas são as canções e pregações, na atualidade, que propagam a ideia de que é possível chamar a atenção de Deus para nós. Para a maioria isso parece normal. Até porque, o que muitos sabem da vida cristã e da Bíblia aprenderam nas músicas, e não nas Escrituras. Por conta disso, basta que a melodia seja agradável e que o cantor seja famoso para a letra ser considerada correta. A maior evidência disso é a resistência em aceitar que haja erros graves em grande parte das canções evangélicas, ainda que esses erros sejam biblicamente comprovados.
Todavia, voltando-nos para a questão principal deste texto, cabe-nos indagar: podemos chamar a atenção de Deus? É óbvio que não! Deus não está desatento! A Bíblia diz claramente que “os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (Provérbios 15.3). O guarda de Israel nunca dorme (Salmo 121.4)! Não precisamos pedir que Ele olhe pra nós! “Porque, os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos, atentos às suas orações” (1Pedro 3.12). Além disso, tentar chamar a atenção de Deus constitui um total desprezo pelos atributos do todo-poderoso. Afinal, Ele é onisciente, ou seja, sabe de todas as coisas. Conhece o nosso levantar, nosso assentar, e sabe exatamente o que pensamos (Salmo 139.1-5). Deus também é onipresente, isto é, está em todo lugar; como poderia, então, um ser onipresente não perceber o que acontece ao seu redor? Que loucura!
Pedir para Deus olhar para você com o propósito de que seus problemas sejam resolvidos, ou que sua vida seja próspera, é o mesmo que afirmar que, até o momento em que você “conseguiu chamar a atenção d’Ele”, a razão do seu sofrimento era a indiferença do Altíssimo. Ele não estava a fim de te ajudar, mas você o “convenceu” a fazê-lo, chamando Sua atenção. Quanta heresia! Deus não pode ser convencido por ninguém! Ele é totalmente livre! Faz o que quer na hora que quer! Suas ações se dão “segundo o conselho da Sua vontade” (Efésios 1.11). Isto fica bem claro em uma de Suas declarações a Moisés: “[...] terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem me compadecer” (Êxodo 33.19).
É bem verdade, entretanto, que, alguns, usando relatos bíblicos de pessoas que foram ao encontro de Jesus, como, por exemplo, a história de Zaqueu (Lucas 19.1-10), argumentam que é possível chamar a atenção do Cristo. Contudo, o que vemos, tanto no episódio de Zaqueu quanto em outras ocasiões, é que Jesus é quem chama a atenção de todos. Ora, Zaqueu só subiu na árvore porque o Filho de Davi estava passando; de igual modo, a “mulher do fluxo de sangue” só tocou na orla das vestes de Jesus porque foi atraída por aquilo que Ele podia fazer; o “cego de Jericó” só clamou por Cristo porque, mesmo que ele não enxergasse, o Filho de Deus chamou a sua atenção.
O grande problema é que as pessoas esquecem que o personagem principal dos evangelhos é Jesus Cristo, e não as pessoas que vão até Ele. Em todas as narrativas o foco está n’Ele. Ele chamou a atenção quando nasceu (Lucas 2.8-16), quando foi apresentado no templo (Lucas 2.22-38), quando, ainda criança, dialogou com os doutores (Lucas 2.42-52); Ele chamou a atenção ao longo de todo o seu ministério terreno, realizando curas e prodígios; chamou a atenção também quando foi crucificado (Marcos 15.39), e quando ressuscitou (João 20.19-28).
Ele é o personagem principal, não nós. Na verdade, de acordo com a Bíblia, somos “caco entre outros cacos de barro” (Isaías 45.9). Tudo o que temos e somos é resultado da graça divina (1Coríntios 15.10), não do nosso esforço em fazer o Senhor olhar para nós. Sem Ele não podemos fazer nada (João 15.5). Portanto, mesmo que as músicas e as pregações que ensinam o contrário sejam agradáveis aos ouvidos, nada mais são do que heresia, falso ensino, anátema. Nossa relação com Deus deve ser guiada por aquilo que Ele já revelou na Sua Palavra, e não por canções contemporâneas.
Pr. Cremilson Meirelles
 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

É DEVER DOS EVANGÉLICOS ORAR CONTRA A MARCHA PARA SATANÁS?

Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
 

Há mais ou menos três meses atrás, surgiu na internet uma convocação, no mínimo estranha. Um indivíduo, usando um perfil fantasioso no facebook, convidava todos os insatisfeitos com o Cristianismo a participarem de um evento que ele chamou de “marcha para Satanás”, o qual, obviamente, seria uma paródia da “marcha para Jesus”. Originalmente, a marcha ocorreria apenas em São Paulo, na Avenida Paulista. Contudo, rapidamente a ideia se multiplicou, e, em vários estados brasileiros, marchas para Satanás foram marcadas para o mesmo dia e horário, a saber, 17 de janeiro de 2016.  
No entanto, o mais impressionante nisso tudo não foi a marcha em si, mas a reação dos evangélicos ante a mobilização satânica. Convocações para orações contrárias à “marcha” inundaram as redes sociais. Em razão disso, grupos católicos e evangélicos intimaram seus pares a iniciarem campanhas de oração para pedir a Deus que o evento não acontecesse. Alguns, inclusive, se programaram para orar exatamente no horário marcado para a tal “marcha”.
Diante disso tudo comecei a questionar: é realmente necessário orar para que um evento, seja dedicado ao Diabo ou outra entidade, não aconteça? Não consigo encontrar na Bíblia nenhum trecho que fundamente essa atitude. Os apóstolos de Jesus Cristo nunca oraram, e nem solicitaram que outros discípulos orassem, por exemplo, para que a Saturnália (festa romana celebrada em honra ao deus Saturno, cheia de orgias e bebedeiras) não ocorresse. Nem mesmo no Antigo Testamento, vemos tal solicitação em relação às orgias realizadas nos cultos prestados a Baal.
Ao contrário, o Novo Testamento relata que o paganismo foi duramente atingido com a proclamação do Evangelho. Isto fica evidente no livro de Atos, o qual narra um episódio ocorrido após o apóstolo Paulo ter, ao longo de dois anos, divulgado as boas novas em Éfeso (Atos 19.8-10). De acordo com Lucas, o resultado daquela proclamação foi um grande número de pagãos convertidos ao Cristianismo (Atos 19.18-20). Estes, de imediato, se desfizeram de seus livros de magia, queimando-os numa grande fogueira. Acerca disso, é importante ressaltar que ninguém orou para que os livros fossem queimados, bastou que ouvissem a pregação e fossem convencidos pelo Espírito Santo. Porque o Evangelho “é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que nele crê” (Rm 1.16).
Por conseguinte, ao invés de orar para que a “marcha para Satanás” não ocorra, deveríamos proclamar o Evangelho a todos que conhecemos e não conhecemos. Só assim o número dos que “marcham” diminuirá, pois todos os dias há pessoas marchando para o inferno, lideradas pelo próprio Diabo, visto que “o mundo jaz no maligno” (1João 5.19). Isso não acontece somente numa mobilização de rua. Agora mesmo, há indivíduos participando dessa “marcha”. Porquanto, como diz a Sagrada Escritura, “aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão” (1João 3.8-10).
Observando outro aspecto dessas convocações, podemos perceber a incoerência  do movimento. Pois, quando recebemos notícias de que pessoas são brutalmente assassinadas em países como a Coréia do Norte, não vemos a mesma mobilização para frear o avanço daqueles que marcham com o propósito de ceifar vidas. Outrossim, missionários são mortos o tempo todo por aqueles que marcham para o Diabo, mas poucos se unem para interceder em favor de suas vidas.
Na verdade, essas campanhas de oração contrárias à “marcha para Satanás” dão a impressão de que seus organizadores creem que, de alguma maneira, tal evento poderia conceder “mais poder” ao Diabo, uma vez que a “marcha” seria uma espécie de “ato profético” (eu hein!), que liberaria o poder das trevas. Por conta disso, os cristãos deveriam impedi-lo com suas orações. Mais ou menos como uma luta do bem contra o mal. Parece coisa de cinema, não é? Mas nas mentes de muitos evangélicos é assim que a coisa funciona. No entanto, onde está o amor e a compaixão pelos participantes? O objetivo é apenas impedir o evento?
Sinceramente, penso que todo o alarde em torno dessa famigerada passeata, apenas facilitou a divulgação dos ideais dos organizadores do evento, e contribuiu para a agregação de mais seguidores; ou seja, os evangélicos, no afã de praticar seu misticismo gospel, em vez de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, acabaram promovendo a causa do capirôto.   
Será que essas pessoas não conseguem compreender que marchas para Satanás estão sempre acontecendo? Afinal, toda vez que passeatas e movimentos populares propagam o pecado e ideologias contrárias às Escrituras Sagradas, temos uma marcha para Satanás. O próprio carnaval é um tipo de marcha para o Diabo. Porque, quem participa, conscientemente, se entrega à carnalidade, cometendo tudo aquilo que desagrada o Senhor. Não dá para parar isso! Inevitavelmente, embora muitos sejam chamados, poucos serão os escolhidos (Mateus 22.14).
Olhando por esse prisma, não faz sentido algum orar para impedir uma manifestação de caráter religioso, ainda que contrarie nossos valores e princípios. Jesus nunca ensinou isso! Na verdade, seu ensino caminha na contramão desse pensamento. Porquanto, Ele disse: “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem, para que sejais filhos do Pai que está nos céus” (Mateus 5.44,45). Qualquer atitude diferente dessa deve ser revista, haja vista que cumprir o mandado do Mestre, como Ele mesmo destaca, é a evidência de que somos filhos de Deus. Isto é, ao invés de orar para que marchas como essa não ocorram, deveríamos interceder pelos participantes, e pregar-lhes o Evangelho, a fim de que se convertam. Até porque, o cancelamento do evento não muda a condição espiritual de seus adeptos. Só Deus pode fazê-lo; e o meio através do qual Ele o faz é a proclamação das boas novas. Portanto, pregue a Palavra, em tempo e fora de tempo (2Timóteo 4.2).
Pr. Cremilson Meirelles

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O CRISTÃO PODE JULGAR?



Pastoral redigida para o Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Manoel Corrêa
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“Não julgueis, para que não sejais julgados, porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós” (Mateus 7.1,2). Este, certamente, é um dos versículos mais mal interpretados de toda a Sagrada Escritura. Porquanto, o usam para defender a ideia de que Jesus condena a utilização do senso crítico, o que nada tem a ver com o contexto. A advertência do Mestre é direcionada ao julgamento hipócrita, praticado continuamente pelos fariseus. Até porque, se Sua intenção fosse proibir qualquer tipo de julgamento, teríamos de admitir que o Filho de Deus se contradisse, pois, em João 7.24, afirmou: “não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” Ora, como poderia o Rei dos reis dizer algo numa ocasião e, logo em seguida, mudar de ideia, sem nem explicar o porquê? Seria, no mínimo, estranho.
Além disso, há outras passagens bíblicas que incentivam o julgamento. Paulo, por exemplo, ao orientar os coríntios acerca da resolução de conflitos no interior da igreja, ressalta: “não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois, porventura, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?” (1Coríntios 6.2,3)
Se vamos julgar os anjos, como podemos ser impedidos de julgar questões menores? Aliás, na mesma carta, o apóstolo declarou categoricamente: “e falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (1Coríntios 14.29). Mas como fazemos esse tipo de julgamento? Da mesma forma que procederam os crentes de Beréia, os quais “de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17.11).
O mais interessante é que, se lermos todo o capítulo 7 de Mateus, veremos que, no mesmo contexto (o sermão do monte), o mesmo Jesus que disse “não julgueis”, ensina seus discípulos a julgar os profetas por meio de seus frutos (Mateus 7.15-20).  Além do mais, em Mateus 12.34, Jesus claramente julga os maus atos dos fariseus, chamando-os de “raça de víboras” e de “maus”. Da mesma forma, em Mateus 23, Ele denuncia publicamente a hipocrisia dos líderes religiosos, chamando-os de “insensatos e cegos” (Mateus 23.19).
Definitivamente, é impossível ser um cristão de verdade sem julgar. Como saberemos, por exemplo, que alguém anuncia um “outro evangelho” (Gálatas 1.8) se não julgarmos? Como saberemos quem é herege (Tito 3.10, 2Pedro 2.1) se não julgarmos? Como poderemos “condenar as obras infrutuosas das trevas”, se não julgarmos?
Mesmo depois dessas explicações, ainda há aqueles que ficam com medo de condenar as atitudes dos “apóstolos”, “bispos”, “missionários” e “pastores” que propagam heresias a torto e a direito, porque os consideram “ungidos do Senhor”. Querido, no Novo Testamento, todos somos ungidos do Senhor (1João 2.20). Não existem “super crentes”!  Davi disse que não MATARIA Saul por ele ter sido ungido pelo Senhor, mas não deixou de criticá-lo. Basta ler 1Samuel 24.10-16 para perceber que Davi critica Saul por sua maldade.
Portanto, alimentemo-nos constantemente da Palavra, de modo que possamos julgar sabiamente, denunciando o falso ensino sempre que se nomear entre nós, apontando os falsos apóstolos, tal como Paulo fez (2 Coríntios 11.13), a fim de que o rebanho seja protegido dos “lobos cruéis” (Atos 20.29) e o Evangelho de Jesus Cristo seja continuamente proclamado.
Pr. Cremilson Meirelles