quinta-feira, 27 de junho de 2013

PODE O CRENTE OUVIR MUSICA SECULAR?




     A discussão em torno desse tema é muito extensa e desgastante, sobretudo porque os que a adentram já o fazem armados com seus pressupostos e não despidos de seus posicionamentos. Assim, o posicionamento varia de acordo com a faixa etária, grupo social, experiências passadas e gosto pessoal. Por exemplo: a maioria dos jovens criados na igreja defende que ouvir tais músicas é perfeitamente normal; por outro lado, grande parte daqueles que experimentaram o mundão optam por uma postura mais conservadora. É claro, entretanto, que existem exceções em ambos os grupos. Contudo, penso ser coerente analisarmos primeiramente o que a Bíblia fala sobre o assunto. De cara, posso dizer que, diretamente, ela não diz nada. Muitos, então, aproveitam isto e utilizam o argumento do silêncio bíblico para justificar sua prática. Não obstante, sabemos que silêncio não significa necessariamente autorização. Todavia, ainda paira a questão: o que fazer? Ouvir ou não ouvir?
    Vale salientar que, ouvir, todos nós ouvimos. Afinal, não somos surdos. Quantas vezes você já foi forçado a ouvir aquele "pancadão" (funk) pornográfico, ou um pagode? As pessoas colocam seus aparelhos de som nas maiores alturas e nos forçam a isso. Porém, quanto a ouvir voluntariamente, penso que não é recomendável para nós. Até porque, tais músicas são compostas por pessoas que, além de não professar a mesma fé que nós, creem num monte de coisas que agridem nossos valores. Suas ideologias estão presentes em suas canções. Outrossim, não louvam ao Senhor, como afirma o salmo 150.6. Na verdade, elas nem têm esse propósito.
    É necessário frisar também que o próprio Jesus não ouviu nem cantou tais músicas, as quais já existiam na sua época. A música romana, por exemplo, era muito semelhante à grega, pois os romanos não eram muito originais e importaram técnicas e estilos da Grécia. Predominava naquela época a música suave com predomínio de instrumentos de sopro e lira, mas havia também a música ufanista que exaltava a glória militar com instrumentos de percussão e as músicas religiosas com os órgãos.
     Jesus cantava salmos (Mt 26.30 - onde Ele certamente cantou o Hallel egípcio: Salmos 113 a 118). Eu prefiro imitar a Cristo (1Co 11.1). Nem Paulo cantava música secular (Rm 11.33-36). Quanto a poder ouvir ou não, acredito que podemos ficar com 1Co 6.12. Além disso, para os defensores das músicas seculares, estas são mais importantes do que tudo. Eles seguem o estilo de seus "ídolos", não os abandonando por nada. É mais fácil abandonarem a igreja. E, normalmente, nenhum deles é muito firme e estão sempre arrumando problemas.
    Diante de tudo isso, remeto-me ao pensamento de um teólogo, grande amigo meu, o qual fez o seguinte questionamento: “como podemos imaginar um crente cantando Michel Telló? E as músicas de apologia ao sexo e ao uso de drogas que alguns grupos de Rock, Pop Rock, Rap e o Funk propõem?” Concordo com ele. É totalmente incoerente e inconveniente. Pois o verdadeiro louvor não pode ser oriundo de um indivíduo não regenerado, de uma natureza caída, porquanto como nos concita o apóstolo Paulo, “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.” (Fp 4.8)

Pr. Cremilson Meirelles

PROTESTO X VANDALISMO


   Desde o início de junho deste ano, uma onda de movimentos contrários ao aumento das tarifas do transporte público invadiu as ruas do Brasil. Tendo começado em São Paulo, os protestos se espalharam rapidamente, alcançando grandes capitais, como Rio de Janeiro e Brasília, cada vez agregando mais adeptos. Estes, no exercício da democracia, têm reivindicado seus direitos perante um governo que nos oprime com impostos abusivos e um sistema que favorece a minoria mais abastada. 
  Não vejo problema algum nesse tipo de atitude. Aliás, não encontro nenhuma justificativa genuinamente bíblica para não fazê-lo. Ao contrário, quando olho para a história eclesiástica, vejo vários servos de Deus que protestaram. Um deles é o profeta que batizou Jesus, João Batista, o qual protestou firmemente contra o governo de sua época (Mc 6.17,18). Outro exemplo é o próprio Jesus, que manifestou publicamente a sua indignação em relação ao mau uso do templo (Mt 21.12). Além disso, muitos profetas protestaram contra os problemas sociais de seu tempo. Em adição, precisamos trazer a memória nossa própria história como protestantes. Na verdade, nossas igrejas são resultado da atitude de diversos cristãos sinceros, que, indignados com os desmandos da Igreja Romana, decidiram protestar. Dentre estes podemos citar John Wycliffe, John Huss, Jerônimo Savonarola e Martin Lutero.
    Não obstante, é inconcebível que um cristão incentive, participe ou concorde com uma manifestação pública que envolva a depredação do patrimônio alheio (público ou privado), o furto de bens de qualquer natureza e violência contra quem quer que seja. Isso é vandalismo, não protesto. Como seguidores de Cristo somos convidados a promovermos a paz (Mt 5.9), não o caos. Essa é a marca distintiva dos filhos de Deus. Foi assim, com protestos pacíficos, que o Pr. Martin Luther King conseguiu uma série de vitórias contra a segregação racial nos Estados Unidos. É assim que devemos proceder onde quer que estejamos promovendo a paz e fazendo o bem a todos (Gl 6.10). Porquanto, o ato de protestar jamais nos isentará do maior mandamento, o amor.
   Todavia, embora acredite que o cristão pode se envolver em protestos desde que sejam pacíficos, entendo que nem toda manifestação pública convém àquele que professa a fé em Cristo. Até porque, algumas se baseiam em causas que contrariam os princípios bíblicos. Por exemplo, um cristão não deve, em hipótese alguma, participar de uma manifestação em prol da legalização do aborto ou da maconha.
  Não precisamos temer os textos que nos mandam respeitar as autoridades. Protestar não é desrespeito, é exercício da cidadania. Ora, em um Estado democrático de direito, os mandatários políticos devem se submeter às leis promulgadas. Se, porventura, descumprirem podemos protestar sim, pois eles desrespeitaram a autoridade, que é a Constituição Federal. Mesmo assim, servimos a uma autoridade maior, Deus. Ele nos manda em sua Palavra fazermos tudo para sua glória (1Co 10.31). Portanto, antes de qualquer protesto, seja por palavras ou atitudes, lembre-se que você não deixou de ser cristão.


Pr. Cremilson Meirelles

domingo, 23 de junho de 2013

O HOMOSSEXUALISMO E O DESPREPARO DAS IGREJAS



       
                                    
        Diante dos embates entre ativistas gays e cristãos, tanto católicos quanto evangélicos, inúmeras questões referentes ao tema têm sido suscitadas, inflamando cada vez mais as discussões. Entretanto, algo que pouco se fala quando o assunto é abordado é sobre a falta de preparo de nossas igrejas para receber visitantes nessa condição. Porquanto, muitos, por causa da discriminação, esquecem do amor pregado e vivido por Cristo. Acabam tratando o gay como um leproso. Sentam-se afastados, evitam conversar e, alguns, normalmente os mais jovens, ficam dando sorrisinhos e cochichando críticas a respeito do indivíduo.
        Philip Yancey, em seu livro "Maravilhosa Graça", cita uma declaração de um homossexual que deve nos levar a refletirmos. Sem mencionar o nome do indivíduo, ele apenas repete suas palavras: "Gostaria de ir à igreja, mas sempre que tento alguém espalha boatos a meu respeito e de repente todos se afastam. Como gay, descobri que é mais fácil conseguir sexo nas ruas de que um abraço na igreja". O grande problema é que, na maioria das vezes, isso é verdade. Quantos pais crentes deixam de falar com seus filhos, os expulsam de casa, os abandonam porque eles trilharam essa seara. Estes, normalmente, continuam frequentando suas igrejas, cantando, pregando, evangelizando, mas não conseguem agir como Jesus, amando o diferente, perdoando o que lhe fez mal. Essas mesmas pessoas, por outro lado, toleram um filho, quando este, ao invés de abraçar o homossexualismo, se relaciona com várias mulheres, se embriaga, não os respeita, fica nas costas deles, arruma filhos para eles cuidarem, etc. A própria igreja recebe melhor estes do que os homossexuais.
          Não estou aqui fazendo apologia à homoafetividade, quero apenas destacar que, se queremos ganhar essas pessoas para Cristo, devemos tratá-las com amor, não com desprezo ou ódio. Eles são criaturas de Deus. No evangelho de Marcos está registrada uma ordem de Jesus que os inclui: "ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16.15). Como posso pregar uma mensagem que tem como ponto central o amor, sem amar? É no mínimo contraditório. Até porque, o homossexual está na mesma condição de um heterossexual que não adultera, que cumpre seus deveres, mas que não recebeu a Cristo como salvador. Além disso, não podemos esquecer de que todos nós fomos alcançados pela graça de Deus, nenhum de nós merece a salvação. Merecíamos, na verdade, o desprezo de Deus, o ódio do Senhor, pois pecamos contra Ele. Éramos inimigos de dEle (Rm 5.10). Mesmo assim, a Bíblia diz que Deus nos amou tanto que, sendo nós ainda pecadores, Ele tomou a iniciativa para nos resgatar enviando Cristo para morrer por nós (Jo 3.16; Rm 5.8). Esse mesmo Deus nos convida a sermos seus imitadores (Ef 5.1), a amarmos até quem não deveríamos amar (nossos inimigos - Mt 5.44).   
             Devemos manter nosso posicionamento em relação à prática do homossexualismo, porém não podemos esquecer de nosso posicionamento como cristãos. Não podemos dizer que amamos a Deus a quem não vemos e não amarmos aqueles aos quais vemos (1Jo 4.20). Se agirmos assim, estaremos reproduzindo o comportamento dos "cristãos" americanos que pregavam o amor, mas pisavam diariamente nos negros, humilhando-os, impedindo-os até mesmo de adentrar seus templos. Portanto, não abandone seus parentes, amigos ou irmãos, se porventura estes abraçarem a homoafetividade. Busque amá-los ainda mais, apresentando-lhes o evangelho vivido e não só pregado.


Pr. Cremilson Meirelles